Brasileiros foram alvo de tentativa de suborno, diz revista

Flávio Saretta levaria R$ 260 mil se aceitasse abandonar um jogo em Roland Garros, no ano passado

27 de outubro de 2007 | 13h16

Escândalos envolvendo mafiosos e jogadores deixaram de ser um privilegio do futebol, e já faz algum tempo. Agora, a 'lama' atingiu as quadras de tênis. "Todos sabem que existem casos de partidas arranjadas", comentou o escocês Andy Murray, no início do mês, logo após o número 4 do ranking, o russo Nikolay Davydenko, ter abandonado a partida contra o argentino Martin Vassalo Arguello (85.º no ranking), em um torneio na Polônia, em agosto.   Veja também:  Davydenko é multado por falta de 'empenho'   Em entrevista a revista IstoÉ, o número 1 do ranking nacional, Flávio Saretta, contou que também já sofreu pressão para 'amolecer'. "Já tentaram me aliciar várias vezes", disse o tenista. "Uma vez, um cara, falando inglês, me procurou e ofereceu 100 mil euros (R$ 256 mil) para perder um jogo." A partida era contra o italiano Potito Starace, 77.º no ranking na época, válida pela segunda rodada do torneio de Roland Garros, na França, em 2006. Saretta, então 89.º, recusou e venceu o oponente por 3 sets a 2.   Saretta não foi o único a sofrer com este tipo de proposta, ainda segundo a IstoÉ. O tenista número 2 do Brasil, Marcos Daniel também foi 'convidado' a entregar uma partida no torneio de Acapulco, no México, no ano passado. "Em espanhol, um cara me ofereceu US$ 20 mil para entregar a partida para o Nicolas Massu", conta o atleta, 88.º no ranking, na época.   Daniel não aceitou a proposta e desligou o telefone. Após a partida, vencida pelo brasileiro, checou os recados na secretaria eletrônica e viu que o sujeito havia ligado outras seis vezes. "Olha, você pode ganhar uma boa grana", contou o tenista, sobre um destes recados.   Apesar de não admitir publicamente que exista de corrupção no esporte, a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) colocou 140 jogos sob suspeita e convocou um ex-apostador russo para dar palestra aos tenistas, no masters series de Miami, este ano. "No Leste Europeu a aposta rola solta", disse Saretta.   As histórias sobre suspeitas de suborno não são novas. Em 2003, os negociadores de uma casa de apostas suspenderam as atividades para o jogo entre outro russo, Yevgeny Kafelnikov (então número 1), e o espanhol Fernando Vicente, depois que uma grande aposta foi registrada em favor do 'azarão'. Vindo de uma seqüência de resultados ruins, o espanhol acabou vencendo aquele jogo.   Kafelnikov era conhecido por disputar, e perder logo na primeira rodada, uma grande quantidade de torneios sem muita expressão. "Ele perdia na primeira rodada e passava a semana no hotel jogando golfe e gamão a dinheiro", revelou Paulo Cleto, "capitão" da equipe brasileira na Taça Davis durante 17 anos.   Ex-jogador, Fernando Meligeni preferiu ser reticente. "O Kafelnikov perdeu para mim, em 1998, quando ele entrou em quadra falando ao telefone", conta. "Não boto a mão no fogo por ele, mas não quero acreditar que ele apostava. O cara podia desistir no meio do jogo para curtir o resto da semana."   Kafelnikov abandonou as raquetes em 2003 e, ironicamente, virou jogador profissional de pôquer. Ao contrario do compatriota Davydenko, ele não está sendo investigado.

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