Bruno Soares: 'Em um dia bom, podemos ganhar de qualquer um'

Ligação com Marcelo Melo vai muito além das quadras de tênis. Em entrevista ao 'Estado', dupla fala sobre a equipe brasileira e a Davis

Amanda Romanelli e Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2014 | 07h00

Mineiros, amigos e até padrinhos de casamento. A ligação entre Bruno Soares e Marcelo Melo, representantes da equipe brasileira na Copa Davis, vai muito além das raquetes. O entrosamento também reflete nos resultados e os tenistas viraram referência mundial nas duplas. Enquanto dividem a quadra com parceiros estrangeiros no circuito, voltam a atuar juntos com a camisa do Brasil. Mas a partir de 2015 a parceria deve se repetir mais vezes, já que os tenistas começam a pensar na Olimpíada do Rio, em 2016. Ao Estado, os tenistas falam sobre a disputa com a Espanha e os planos para o futuro.

Qual é o palpite para formação da dupla da Espanha com a vinda de Granollers, López e Marrero?

BRUNO SOARES - Vai depender muito do que acontecer na sexta-feira. De qualquer forma, são duas duplas muito fortes. Hoje Granollers e Marc López são uma das melhores duplas do mundo, vêm jogando no circuito há muito tempo. No caso de Marrero e Marc López, é uma dupla que se conhece muito bem e vai ser pedreira também. Acho que o mais importante é fazer o nosso papel. Se a gente conseguir render o nosso melhor, independente de quem jogar, teremos uma chance boa.

MARCELO MELO - Marrero joga muito bem, porém eu acho a dupla López/Granollers mais forte por jogarem juntos há muito tempo, além dos resultados atuais.

Do que você viu do desempenho dos espanhóis no US Open, o que traz para cá (São Paulo)?

BRUNO SOARES - Nada de diferente. A gente sabe o estilo deles, são caras muito fortes no fundo de quadra, muito sólidos. Eu o Marcelo temos consciência do que fazer para ganhar o jogo, vamos ter de trabalhar durante a semana para estarmos o mais afiados possível no sábado.

Com a classificação para o Grupo Mundial em 2012, o sonho fica um pouco mais real apesar de ter uma Espanha pela frente?

BRUNO SOARES - Quando o sorteio saiu, a Espanha era um pouco aquela coisa de missão impossível, com Nadal e Ferrer. Agora com esse time que eles trouxeram, continuam favoritos, no papel eles continuam com uma equipe melhor do que a nossa, mas a gente tem chance. Em um final de semana inspirado, a gente pode ganhar deles. Isso já dá uma motivação bem maior para a gente do que vai acontecer nessa Copa Davis.

MARCELO MELO - Temos um confronto muito duro pela frente. Por mais que o Nadal e o Ferrer não tenham vindo, continua sendo um confronto difícil. Com certeza a ausência deles deixa a volta ao Grupo Mundial mais viável, porém temos que encarar com todas as forças.

Acham que saibro e altitude são as condições mais confortáveis para o Brasil?

BRUNO SOARES - No geral, sim. Esse é um piso que os nossos jogadores de simples gostam bastante de jogar. Os nossos confrontos em casa de Copa Davis sempre foram assim. A gente dá prioridade para o pessoal de simples, onde eles gostam de jogar. Eu e o Marcelo, na dupla, tentamos nos adaptar ao que eles escolherem.

Você e o Marcelo são referência quando se fala em Copa Davis. Como vocês vêem o papel da dupla nessa equipe?

BRUNO SOARES - A gente sabe da importância do nosso ponto, estamos acostumados a lidar com essa pressão. Mas isso é uma coisa que você tem de levar para o lado positivo. Se a gente está em um dia bom, podemos ganhar de qualquer um. A gente tem de tentar canalizar toda essa pressão em motivação.

MARCELO MELO - Com os resultados que temos na Copa Davis acaba sendo normal essa responsabilidade, porém sabemos que todos os jogos são duros, especialmente esse confronto contra a Espanha.

Qual é o sentimento de voltar a jogar ao lado do seu amigo e ex-parceiro Bruno Soares?

MARCELO MELO - É sempre um prazer voltar a jogar com o Bruno. Temos orgulho de defender juntos as cores do Brasil, especialmente na Copa Davis e Olimpíada.

Pensando na Olimpíada, já definiram quando vão jogar juntos no circuito?

BRUNO SOARES - Ainda não tem nada definido, acho que a tendência é em 2015 e 2016 a gente começar a jogar alguns torneios juntos. É muito difícil fazer uma programação baseada somente na Olimpíada, a gente tem um ano inteiro que joga pelo circuito, a gente tem de manter o nosso ranking, a gente tem os nossos parceiros. Tem de ser uma programação muito bem feita, vamos tentar encaixar um ou outro torneio.

Pensa em colocar esses torneios próximos da data da Davis?

BRUNO SOARES - Não faz tanta diferença. Eu e o Marcelo estamos sempre juntos, a gente viaja sempre juntos, 80% dos torneios que a gente disputa são os mesmos, a gente mora em Belo Horizonte, treinamos juntos quando estamos lá. Acho que o fator jogar juntos, entrosamento, é a coisa mais natural do mundo.

Tem alguma partida da Davis que vocês têm algum carinho especial?

BRUNO SOARES - Sem dúvida nenhuma, acho que vai ser para sempre os Bryan (jogo do Grupo Mundial contra os Estados Unidos em 2013). Esse foi o melhor jogo de Copa Davis meu e do Marcelo, acho que isso é um feito enorme. Ganhar da melhor dupla de todos os tempos nos Estados Unidos, na casa deles, não vai ter igual.

MARCELO MELO - Sem dúvida a mais importante foi a vitória contra a Rússia, no Brasil, quando voltamos para o Grupo Mundial. Foi uma sensação inexplicável levar o meu País de volta à elite.

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