Justin Lane/ EFE
Justin Lane/ EFE

Bruno Soares revela que contraiu covid-19 semanas antes de conquistar US Open

Mesmo sem sintomas, o duplista admitiu que a doença prejudicou seu desempenho no Masters 1000 de Cincinnati, torneio preparatório para o Grand Slam

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 20h22

Poucos minutos após levantar o troféu do US Open, o tenista brasileiro Bruno Soares revelou ter contraído a covid-19 duas semanas antes de viajar para os Estados Unidos. Mesmo sem sintomas, o duplista admitiu que a doença prejudicou seu desempenho no Masters 1000 de Cincinnati, torneio preparatório para o Grand Slam disputado em Nova York.

"No meu caso, foi tranquilo. Comecei a sentir um cansaço a mais que o normal, corpo fraco, nariz entupido, acabei fazendo o teste e o resultado foi positivo. O problema é que foi aos 45 do segundo tempo. Foram 15 dias, pouco antes de viajar", revelou o mineiro, na noite desta quinta-feira. "Tive que voltar de forma gradativa. O tempo não estava do meu lado, mas acabou dando tudo certo."

Ele disse que a doença só afetou seu rendimento no torneio de Cincinnati, disputado uma semana antes do US Open, no mesmo complexo do Grand Slam. "Para o US Open, não influenciou tanto, mas para Cincinnati, estava um pouco mais ofegante que o normal. Mas não tive dificuldade para respirar. Foi totalmente assintomático."

Soares conquistou seu sexto título de Slam ao vencer, na final, o holandês Wesley Koolhof e o croata Nikola Mektic por 2 sets a 0, com parciais de 7/5 e 6/3. Foi o seu primeiro grande título jogando ao lado do também croata Mate Pavic.

O mineiro soma agora três títulos na quadra dura do US Open. Ele foi campeão de duplas masculinas também em 2016, na época jogando com o escocês Jamie Murray. Também levantou o troféu de duplas mistas em 2012 e 2014. "Nova York sempre foi um lugar em que joguei o meu melhor tênis. Foram grandes resultados, vitórias, grandes jogos. Muita história", celebrou o brasileiro, campeão também do Aberto da Austrália, com Jamie, em 2016.

A conquista desta quinta foi um tanto improvável não apenas porque o brasileiro contraiu a covid-19 duas semanas antes de viajar. Soares vinha oscilando nos últimos Grand Slams, sem alcançar as fases finais. "Foi uma trajetória no estilo 2020, bem maluca, como tudo que está acontecendo neste ano. É mais uma história para contar", disse o atual 27º colocado do ranking de duplas.

"Foi tudo um pouco diferente. Desde pegar corona 15 dias antes de viajar, ter que ficar isolado, sem treinar, sem estar preparado para Cincinnati. Fizemos bons jogos lá. Mas foi até melhor ter perdido logo na primeira rodada lá para poder ter uma boa semana de treino. Recuperei meu físico, que estava bem abaixo por causa da doença", comentou.

Aos 38 anos, o brasileiro disse valorizar ainda mais a conquista desta quinta porque não sabe até quando vai seguir no circuito. "A sensação é incrível. Mais um título de Grand Slam. Para mim, aos 38 anos, depois de altos e baixos, quatro anos depois do meu último Grand Slam, voltar a segurar um troféu deste é uma sensação muito especial", afirmou o mineiro.

"Apesar de me sentir bem fisicamente, óbvio que estou no estágio final da minha carreira. Só o tempo vai dizer de terei mais um, dois ou três anos de carreira. Para mim agora, cada momento deste passa a ter um gostinho ainda mais especial. Isso me dá muita força para seguir trabalhando duro."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.