Edgar Su/Reuters
Britânico Andy Murray treina na Austrália. Edgar Su/Reuters

Calor é o grande rival dos tenistas no Aberto da Austrália

Primeiro Grand Slam do ano começa com uma preocupação comum entre os atletas: as altas temperaturas

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2019 | 04h30

O Aberto da Austrália terá início na noite deste domingo, pelo horário de Brasília - manhã de segunda-feira em Melbourne -, sob forte preocupação com o calor. Depois das recorrentes reclamações dos tenistas na edição de 2018, a organização do primeiro Grand Slam da temporada mudou seu sistema de medição de calor e prometeu medidas para amenizar o desconforto com as altas temperaturas que costumam marcar a competição.

Em dezembro, os termômetros assustaram os moradores do Estado de Victoria, cuja capital é Melbourne. De acordo com o Bureau of Meteorology, da Austrália, as temperaturas superaram os 40 graus C por quatro dias seguidos, algo que não acontecia há 90 anos na região.

Para a primeira das duas semanas do torneio, as previsões são mais amenas, com temperaturas superando os 30 graus. Mas o primeiro dia já promete 37 graus. "É sempre um calor muito forte na Austrália. No ano passado, tivemos temperaturas acima da casa dos 40 graus", disse o duplista Bruno Soares ao Estado.

O calor de 2018 causou polêmica por causa dos critérios utilizados pela organização para interromper jogos e até para fechar o teto retrátil das arenas, recurso geralmente usado somente em caso de chuva. Para alguns críticos, na final essa iniciativa favoreceu o suíço Roger Federer em detrimento do croata Marin Cilic.

Para esta edição, a organização prometeu maior clareza em seus critérios. Para tanto, mudou sua política de calor extremo e lançou a chamada Escala de Estresse Térmico, que leva em consideração temperatura, radiação solar, umidade e velocidade dos ventos. A medida vai de um a cinco, sendo este o registro do calor extremo.

Se a escala alcançar a marca de 4.0, o árbitro de cadeira deve aumentar o intervalo de descanso entre o terceiro e o quarto set, de dois para dez minutos, no jogos da chave masculina. No feminino e no juvenil, a pausa ampliada acontece entre a segunda e a terceira parcial da partida. Caso a escala alcance 5.0, o duelo deverá ser paralisado.

De acordo com a organização, a medição do novo sistema será mais transparente, algo que não vinha acontecendo com a política anterior. "O bem-estar de todos os jogadores no Aberto da Austrália é nossa maior prioridade", garante o diretor do torneio, Craig Tiley. "Por isso desenvolvemos essa nova escala depois de meses de pesquisas e testes."

Segundo Bruno Soares, que integra o Conselho de Jogadores da ATP, os novos critérios da política de calor da competição foram discutidas com os atletas.

"O Aberto da Austrália nos enviou primeiro (as informações), antes de divulgar. Discutimos o assunto com eles, tiramos nossas dúvidas. Estamos em contato e confiamos no trabalho que estão desenvolvendo para encontrar a melhor solução para esta questão", disse.

Outra novidade para este ano é a implantação na chave masculina do tie-break no quinto set, a ser finalizado em dez pontos, e não em sete, como geralmente acontece. A medida serve para impedir o prolongamento indefinido dos jogos, algo recorrente em Wimbledon. Nos jogos femininos, o tie-break será realizado na terceira parcial.

BRASILEIROS

O País terá apenas um representante em simples. Atual 176.ª do mundo, Bia Haddad "furou" o qualifying e estreará na chave principal contra a norte-americana Bernarda Pera, 69.ª colocada.

Nas duplas, o Brasil terá a importante baixa de Marcelo Melo, ex-número 1 do mundo. Bruno Soares jogará ao lado do escocês Jamie Murray, como de costume, e Marcelo Demoliner vai formar parceria com o dinamarquês Frederik Nielsen.

 

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Atual bicampeão do Aberto da Austrália, Federer busca 100º título da carreira

Com 99 troféus em seu currículo, suíço só está atrás do recordista norte-americano Jimmy Connors, dono de 109 conquistas

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2019 | 04h30

O Aberto da Austrália, que terá início na noite deste domingo (pelo horário de Brasília), poderá contar com recordes e novos feitos dos veteranos do circuito. Atual bicampeão do primeiro Grand Slam da temporada, Roger Federer mira em Melbourne a incrível marca de cem títulos na carreira. Com 99 troféus em seu currículo, o suíço só está atrás do recordista norte-americano Jimmy Connors, dono de 109 títulos.

"Noventa e nove é um número incrível. Estou perto, vou em busca [do 100º]. Em todo torneio que vou disputar, as pessoas comentaram sobre isso. Mas estou tentando não olhar muito para o futuro", diz Federer. "Mas, seu eu atingir esta marca na Austrália, aceitarei muito feliz. Vou dar tudo que tenho para conseguir."

Disputando o Aberto da Austrália pela 20ª vez na carreira, o recordista de títulos de Grand Slam busca a sétima conquista em Melbourne, O que seria um recorde. No momento, está empatado com o sérvio Novak Djokovic e o local Roy Emerson, ambos com seis troféus. Se chegar à final novamente, como fez em 2018 e 2017, Federer vai alcançar também a centésima vitória na competição.

Federer e Djokovic são os dois principais candidatos ao título neste ano. O suíço foi campeão em 2018 e 2017 e fez grandes exibições na Copa Hopman, na qual levou a taça ao lado de Belinda Bencic e bateu rivais mais jovens, como o grego Stefanos Tsitsipas e o alemão Alexander Zverev, nos primeiros dias do ano.

O sérvio, por sua vez, parece manter o embalo da temporada passada. Em 2018, ele foi campeão em Wimbledon e do US Open e voltou ao posto de número 1 do mundo. Isso tudo mesmo depois de passar por uma cirurgia no cotovelo direito no começo do ano.

Na chave feminina, as favoritas são a alemã Angelique Kerber, a japonesa Naomi Osaka e Serena Williams. A norte-americana, por sinal, quer o 24º troféu de Grand Slam para empatar com a recordista Margaret Court. Na temporada passada, ela bateu na trave duas vezes, ao ficar com o vice-campeonato tanto em Wimbledon quanto no US Open.

 

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