Vipcomm/Divulgação
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Marcelo Melo diz que Roland Garros era 'o momento de vencer'

Tenista mineiro conta que não podia deixar a nova chance escapar

Nathalia Garcia , O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 14h12

Depois de bater na trave nas últimas temporadas, o brasileiro Marcelo Melo enfim conquistou o seu primeiro título de Grand Slam na carreira. Ao lado do croata Ivan Dodig, ele realizou um de seus sonhos ao levantar o troféu inédito de duplas masculinas em Roland Garros. Em entrevista coletiva nesta terça-feira, em São Paulo, o tenista comentou que não queria deixar a nova chance escapar e via que aquele era "o momento de ganhar". 

Para Melo, a frustração após a queda na semifinal do Aberto da Austrália, em janeiro deste ano, foi determinante para seu desempenho em Paris. "Senti que a gente tinha chance de ganhar um torneio. Na Austrália, fiquei muito triste, não queria deixar o título escapar novamente. A única coisa que vinha na minha cabeça depois do jogo era que realmente a gente tinha conseguido", afirma.

Marcelo Melo conta que desligou o celular no dia da partida decisiva para manter o foco e evitar a euforia. O tenista admite que, quando foi para o último saque, passou em sua cabeça por "um segundo" que estava a um game de ser campeão. No entanto, ele logo retomou a concentração e deixou a festa para depois. 

A empolgação também contagiou os internautas, que criaram a hashtag #somostodosgirafa em referência ao apelido do tenista de 2,03 m. E o brasileiro espera que o apoio continue nas próximas competições. "Eu achei engraçada a hashtag. Todo mundo que conhece tênis sabe que eu tenho o apelido de girafa, em todas as línguas me chamam de girafa. Quando vi a hashtag, eu achei muito legal, é um carinho especial."

A conquista veio no último sábado com a vitória de virada sobre Bob e Mike Bryan por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (5/7), 7/6 (7/5) e 7/5. E a dupla norte-americana tem sido a pedra no sapato do brasileiro, que foi vice em Wimbledon, em 2013, e no ATP Finals (o torneio que reúne os oito melhores tenistas da temporada), no ano passado. De acordo com Marcelo, só há uma maneira de ganhar dos irmãos Bryan: estar afiado.

"Os irmãos formam a melhor dupla da história. É preciso montar um plano de jogo, estar 100% no dia, começar jogando bem e aproveitando as poucas oportunidades. É uma dupla que dá pouca oportunidade e aproveita toda chance que tem", avalia.

Marcelo Melo é o primeiro brasileiro a ser campeão no Grand Slam francês desde o tricampeonato de Gustavo Kuerten (2001, 2000 e 1997). A conquista inédita levou a dupla Melo e Dodig à liderança do ranking do ano. A parceria saltou do terceiro para o primeiro lugar, ultrapassando os italianos Simone Bolelli e Fabio Fognini e os irmãos Bryan na lista da ATP. Na lista individual, Marcelo continua em 3º e seu parceiro aparece em 4º; os tenistas dos Estados Unidos se mantêm no topo.

O próximo desafio do brasileiro será na grama. De olho em Wimbledon, Melo explica que há uma preparação especial para a sequência de torneios neste tipo de piso. "Tem de ficar mais agachado, as pernas ficam mais doloridas. Não tenho certeza se vou jogar algum torneio anterior, mas não tem quadra de grama no Brasil para treinar", diz. 

E ele projeta bastante equilíbrio entre os duplistas na sequência da temporada, especialmente com a proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. "(A corrida) vai aumentar por causa da Olimpíada, os jogadores de simples vão escolher alguns Masters. No atual formato, um mínimo detalhe decide o jogo. Os Bryan não começaram tão bem em relação ao que fazem há 15 anos. Esse ano, eu e o Daniel (irmão e treinador) conseguimos ver mais equilibrio entre as duplas", analisa.

Melo aposta no diálogo aberto com seu parceiro para continuar em alta no circuito. "É preciso muita comunicação entre os dois jogadores porque dupla é muito dinâmica, muda muito no decorrer dos jogos e dos torneios. Quando você passa a ganhar, os adversários passam a te estudar. Precisa estar sempre evoluindo e aprendendo mais com as derrotas do que com as vitórias."

 

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