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Carlos Alberto Kirmayr questiona futuro do tênis brasileiro

Ex-jogador, com 15 anos de Copa Davis, não quer que o esporte sobreviva pelos 'milagres individuais'

André Avelar - estadao.com.br,

23 de setembro de 2009 | 12h52

Com a experiência de 15 anos de Copa Davis, Carlos Alberto Kirmayr não deixou barato a derrota do Brasil para o Equador pela mesma competição, disputada no último fim de semana, em Porto Alegre (RS). O ex-jogador pôs em dúvida o futuro do tênis nacional, enquanto medidas mais concretas não forem tomadas e o País viver dos "milagres individuais que aparecem no esporte".

 

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Do seu centro de treinamento em Serra Negra (a 160 quilômetros de São Paulo), Kirmayr lamentou a eliminação do País no saibro do Ginásio Gigantinho e pediu mais organização da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). "É necessário ter uma atitude melhor para os jogadores, uma atenção completa desde os jovens", disse. Confira a entrevista.

 

Por que o tênis brasileiro não deslancha?

Não sei nem se o problema é mesmo deslanchar. No ano passado nós não tínhamos tantos jogadores entre os 100 primeiros do mundo. Houve um progresso, o próprio (Thomaz) Bellucci está se destacando, mas a dificuldade para o top 10 é muito grande. Foi um milagre do Guga, como têm sido todos que aparecem no esporte brasileiro.

 

O que fazer para alavancar o esporte?

É preciso saber qual a motivação do torneio? Hoje tem melhor ranking aquele que joga mais torneios, ou seja, quem tem mais dinheiro. O começo para o jovem é muito sofrido e eles estão treinando como profissionais, daí as lesões, as frustrações e o abandono.

 

 QUEM É ELE
Nome: Carlos Alberto Kirmayr

Nascimento: 23/9/1950

Início: Começou a praticar tênis aos 4 anos, no Esporte Clube Banespa

Profissionalização: 1969

Melhor ranking: 37.º colocado, em 1981

Qual a importância de um centro de treinamento, como quer a CBT?

O Brasil tem que saber que não vai ser um centro que vai fazer ganhar jogo. É um trabalho em longo prazo, que talvez a gente ainda não veja esse resultado. Depois do Guga, eu imaginei que os resultados vinham logo depois.

O seu centro de treinamento em Serra Negra poderia ser utilizado?

(Risos) Se a CBT quiser utilizar está pronto. É só combinar um preço. Não dá para esperar dois, três anos para se construir um. Existe formas da Confederação viabilizar o centro. É necessário ter uma atitude melhor para os jogadores, uma atenção completa desde os jovens. Mas o Jorge (Lacerda, presidente da CBT) começou bem. Está com uma ótima desenvoltura.

 

Como aproveitar nomes do passado do tênis brasileiro?

A França pegou todos os ex-jogadores, apoiou, manteve no tênis. Todos os talentos que apareceram têm um bom técnico por trás. A federação soube aproveitar. A Espanha faz o mesmo. Isso é um problema porque poucos tomam conta dos poucos.

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