CBT admite boicote dos jogadores na Davis

Surpreso e até mesmo meio assustado com a repercussão negativa da substituição de Ricardo Acioly por Jaime Oncins no cargo de treinador da Copa Davis, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastas, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista exclusiva, o temor de um boicote dos jogadores no próximo confronto do Brasil, diante do Paraguai, marcado para 9 a 11 de abril, na Costa do Sauípe. O dirigente não esperava tantas restrições ao nome de Oncins e um dos motivos que fortaleceu esta escolha foi o fato de saber que Gustavo Kuerten sempre gostou muito dele e, por isso, supôs que haveria uma boa aceitação. "Sim...acredito que possa haver um boicote dos jogadores", afirmou Nastas. "Não acho, porém, conveniente." Para evitar este verdadeiro desastre, Nelson Nastas deu "carta branca" para Oncins fazer todo tipo de negociação com a equipe. "Sei que os jogadores da Davis não querem a presença de Carlos Kirmayr na comissão técnica, e já acatamos a exigência". Outra das exigências seria a de Nastas renunciar a presidência da CBT. Isso ele garante que não irá fazer, mas já admite a possibilidade de não concorrer ao cargo nas eleições marcadas para o final do ano. "Seria uma péssima repercussão internacional renunciar agora", disse o dirigente. "Vou cumprir o meu mandato e a partir de outubro quando já podem ser realizadas as eleições vou definir meu futuro. Mas penso em não ficar mais no cargo." Nastas é hoje integrante da diretoria da Federação Internacional de Tênis e do comitê da Copa Davis da ITF. Uma saída da CBT pela portas dos fundos poderia abalar o alto grau de confiança conquistada com os dirigentes do tênis internacional. Na tentativa de contornar a situação e acalmar os ânimos dos jogadores, Nastas reuniu-se com Oncins, que vai fazer as negociações. O problema é que o atual capitão da Copa Davis, ao aceitar o cargo nas condições oferecidas, transformou-se num traidor. O próprio Gustavo Kuerten, no Sauípe, pediu para Oncins não aceitar o cargo, esperar por outra oportunidade melhor. Por isso, o dirigente sugeriu que seja chamado Carlos Chabalgoity - Chapecó - para integrar a comissão técnica. Ele é coordenador da equipe Play Tennis, onde treina Flávio Saretta, o que poderia dar mais tranqüilidade ao jogador, um dos mais revoltados com a atual situação. Também Fernando Meligeni poderia ser chamado para compor, com objetivo de contornar a crise. "Acho que o Meligeni merece ter sua oportunidade na Davis, mas agora eu não volto atrás e vou manter Oncins no comando." O risco Nelson Nastas resolveu assumir, pois supõe que os jogadores não terão coragem de seguir em frente no boicote, em razão do envolvimento de cada um do time com seus patrocinadores. "Por isso, digo que não é conveniente este boicote. Não seria bom para os jogadores, nem para o tênis."

Agencia Estado,

03 de março de 2004 | 17h02

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