Wilton Junior / Estadão Conteúdo
Wilton Junior / Estadão Conteúdo

Com negativa de Bellucci e Rogerinho, capitão da Davis testa novidades

Brasil enfrenta República Dominicana, nos dias 2 e 3 de fevereiro, pela abertura do Zonal Americano I

Felipe Rosa Mendes, Estadão Conteúdo

22 Janeiro 2018 | 19h26

O Brasil terá um time alternativo na disputa do confronto com a República Dominicana, nos dias 2 e 3 de fevereiro, pela abertura do Zonal Americano I da Davis. Diante da negativa de Rogério Dutra Silva e Thomaz Bellucci, o capitão João Zwetsch convocou Thiago Monteiro, João Pedro Sorgi e o jovem Thiago Wild. Nas duplas, Marcelo Melo jogará ao lado de Marcelo Demoliner porque Bruno Soares também pediu para ficar de fora deste confronto.

+ República Dominicana perde melhor tenista para pegar o Brasil

Inicialmente, Zwetsch esperava contar com força máxima neste duelo que vale vaga na segunda e decisiva rodada do Zonal. Se confirmar o favoritismo contra os dominicanos, os brasileiros vão enfrentar na sequência o vencedor de Colômbia x Barbados. Uma nova vitória levará o Brasil novamente aos playoffs do Grupo Mundial da Copa Davis.

Rogerinho e Bellucci rejeitaram o convite porque preferiram se dedicar ao circuito da ATP. "Meu foco neste ano é priorizar o calendário ATP", justifica Rogerinho. Em setembro do ano passado, no duelo de playoffs contra o Japão, o atual 98º do ranking havia sido preterido na lista inicial do capitão, que preferiu convocar Monteiro e Bellucci. Na sequência, Bellucci se machucou - e também se afastou por doping - o que obrigou Zwetsch a chamar Rogerinho de última hora. Ele, contudo, negou o convite porque já havia definido o calendário e a logística.

Além de Rogerinho e Bellucci, que são os dois melhores brasileiros do ranking, o capitão convocou sem sucesso João Souza (Feijão) e Guilherme Clezar, que também preferiram se dedicar ao circuito. Já Bruno Soares alegou motivo pessoal para ficar de fora. "Com a segunda gravidez da Bruna (esposa) e o nascimento do nenê programado para junho, vou ter que cortar algumas semanas do meu calendário para ver a minha família e acompanhar esse momento", explica Soares.

"Nossa equipe vai com uma escalação bem diferente do que estamos acostumados. Dos cinco que vão, três estão indo pela primeira vez. É uma data complicada dentro do calendário ATP, com torneios no saibro, diferentemente da Davis jogada em quadra rápida, ficou difícil para muitos jogadores", afirma Zwetsch, mostrando compreensão com as negativas.

O presidente da Confederação Brasileira de Tênis, Rafael Westrupp, minimizou as ausências. "Eles sempre jogaram a Copa Davis, sempre estiveram disponíveis para defender as cores do Brasil. Todos eles sempre foram muito solícitos, entendo a posição de cada um deles pelo momento pessoal e profissional e confio nos atletas que foram convocados pelo João", afirma.

Sem estas opções, o capitão do Brasil chamou Monteiro, 116º do mundo e número 3 do Brasil, para o seu segundo confronto na Davis. João Pedro Sorgi e Thiago Wild, que ainda joga no juvenil, farão suas estreias na tradicional competição.

Com 24 anos, Sorgi é o 366º do mundo - já foi o 251º no ano passado. Seu melhor resultado no circuito profissional é o vice-campeonato do Challenger de Savannah, nos Estados Unidos, em maio do ano passado. Em dezembro, ele foi campeão de duplas do Future de Lima, no Peru.

Wild é o caçula da equipe. Com 17 anos, disputa a chave juvenil do Aberto da Austrália nesta semana e pode se tornar o mais jovem tenista a defender o Brasil numa Copa Davis. Ele foi vice-campeão do Banana Bowl em 2017 e é o atual número 9 do ranking juvenil e o 616º da ATP.

Nas duplas, o estreante será Marcelo Demoliner, de 29 anos, atual 35º do ranking de duplas. Ainda em busca do seu primeiro título de nível ATP, ele somou quatro vice-campeonatos no ano passado. "Estou feliz com a convocação, é uma honra poder jogar e defender as cores da nossa pátria. Vou desfrutar muito e deixar o meu melhor dentro de quadra", promete.

O capitão da Davis culpou o piso duro do Club Deportivo Naco, local em que será disputado confronto, em Santo Domingo, pelas baixas na equipe brasileira. "Essa Copa Davis é muito complicada por isso, por ser na quadra dura com data um pouco inconveniente. Temos que compreender. Os quatro ATPs que possuem no período são torneios muito importantes para todos da América do Sul", afirma Zwetsch.

"A grande maioria das vezes que foram solicitados o Rogerinho, o Thomaz e o Bruno jogaram, o Feijão e o Clezar também. Todos eles já têm um serviço importante prestado ao Brasil na Copa Davis e temos que entender que é realmente inadequado terem que quebrar seus calendários para jogar uma Davis. Também seria compreensível se o Marcelo e o Monteiro não quisessem jogar", declara.

Assim como o Brasil, a República Dominicana também terá uma baixa importante. Número 1 do País, o veterano Victor Estrella Burgos, de 37 anos, pediu para ficar de fora pelos mesmos motivos dos brasileiros.

Sem Estrella Burgos, o Brasil vê aumentar seu favoritismo para o confronto. No momento, o segundo melhor tenista da República Dominicana é José Hernández-Fernández, de 27 anos. Ele é apenas o 285º do ranking. Os mais bem ranqueados após Hernández-Fernández são Roberto Cid Subervi, 411º, e José Olivares, 909º.

MUDANÇAS NO ZONAL

A partir desta temporada, os Zonais terão mudanças consideráveis em seu formato de disputa. A começar pelos duelos de fevereiro, os confrontos desta categoria serão resolvidos em apenas dois dias e terão partidas de melhor de três sets. Antes os duelos eram disputados em três dias (sexta-feira, sábado e domingo) e tinham partidas em melhor de cinco sets - esta estrutura será mantida nos playoffs e no Grupo Mundial.

As séries do Grupo I, onde o Brasil compete, serão disputados entre sexta e sábado. E do Grupo II, entre sábado e domingo. A sequência dos jogos vai copiar o atual formato da Fed Cup, a versão feminina da Davis, com dois jogos de simples no primeiro dia. No segundo, as duplas abrem o duelo, antes de outras duas partidas de simples.

Em outra decisão da Federação Internacional de Tênis (ITF), os times passarão a contar com até cinco jogadores, para dar mais opções na escalação dos capitães. Antes, as equipes só tinham quatro tenistas, sendo dois deles de duplas. Além disso, não haverá o quinto jogo quando o quarto for decisivo. E, se um time abrir 3 a 0, somente o quarto jogo poderá ser disputado.

Mais conteúdo sobre:
Copa Davis tênis

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.