Thomas Samson|AFP
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Com público reduzido, Roland Garros tem Nadal sob ameaça de Thiem e Djokovic

Tradicional evento francês, que costuma ser realizado entre o fim de maio e o início de junho, começará num incomum fim de setembro devido à pandemia

Felipe Rosa Mendes , O Estado de S.Paulo

Atualizado

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A presença de torcedores nas arquibancadas não é polêmica apenas no Brasileirão. Na França, Roland Garros terá início neste domingo com público ainda mais reduzido que o esperado, após discussões e até um puxão de orelha público do primeiro-ministro. Em quadra, os 1.000 torcedores que poderão acessar o complexo por dia vão ver Rafael Nadal tentar confirmar seu favoritismo, em busca do 13º título, diante da ameaça de Dominic Thiem, o mais novo campeão de Grand Slam do circuito, e Novak Djokovic.

Acostumado a ser o segundo Slam da temporada, disputado geralmente entre o fim de maio e o início de junho, Roland Garros começará num incomum fim de setembro devido à pandemia. A própria mudança na data já gerou polêmica por ter sido imposta pela organização, sem consulta aos demais grandes torneios. A competição parisiense, portanto, será o terceiro último Grand Slam do ano - Wimbledon foi cancelado.

Os planos iniciais da organização eram contar com até 20 mil torcedores in loco diariamente. Geralmente, o torneio recebe pouco mais de 30 mil por dia. Mas as previsões foram caindo aos poucos, para 11.500 e, depois, para apenas 5 mil. Nos últimos dias, diante do aumento de casos de covid-19 na França, o primeiro-ministro Jean Castex restringiu para 1.000 o público permitido em grandes eventos.  

O apelo da organização não deu resultado. "Temos uma área equivalente a 15 campos de futebol e tudo ao ar livre. É mais arriscado ir a um supermercado, a um teatro ou ao metrô que vir a Roland Garros com máscara. Colocar 5 mil pessoas num espaço aberto tão grande é totalmente seguro", argumentou Guy Forget, diretor do torneio, sem sucesso.

Os poucos torcedores que poderão frequentar o complexo do Grand Slam poderão conhecer a nova quadra central. A reformada Philippe Chatrier, onde Gustavo Kuerten levantou três troféus, agora tem teto retrátil. Roland Garros se tornou, assim, o último dos quatro Slams a contar com tal recurso.

FAVORITISMO

O teto, que costuma afetar a dinâmica dos jogos, não deve ser o único obstáculo a ser enfrentado por Rafael Nadal. O espanhol reclamou da nova bola do torneio, considerada por ele mais pesada e lenta, características que atrapalham seu estilo de jogo. "A bola é muito mais lenta do que anos anteriores. Se acrescentarmos essas condições de frio e umidade, então ela fica superpesada, não?", comentou.

O número dois do mundo admite que terá mais dificuldade do que nos anos anteriores no saibro de Paris. "As condições aqui são provavelmente as mais difíceis que já tive em Roland Garros por vários motivos", declarou o dono de 12 títulos no Grand Slam francês, que chegou a completar seis meses sem competir, devido à pandemia e também porque evitou se arriscar no US Open.

Na busca pelo 13º troféu, Nadal vai encarar sua própria falta de ritmo e um motivado Dominic Thiem, agora com status de campeão de Slam. O austríaco foi o campeão do US Open, neste mês, após três vices em torneios deste nível. Ele perdeu as duas últimas finais em Paris justamente para o espanhol. E agora virá com confiança renovada. Desta vez, eles poderão se enfrentar na semifinal.

Se for campeão, Nadal vai alcançar o recorde de títulos de Slam, que pertence a Roger Federer, dono de 20 troféus. O suíço não competirá em Paris. Após passar por cirurgias neste ano, ele decidiu voltar ao circuito somente em 2021.

Tentando recuperar o moral após a desclassificação em Nova York, Djokovic também se apresenta como forte candidato ao título. Depois da decepção no US Open, o líder do ranking venceu o Masters 1000 de Roma, no saibro, e mostrou que tem condições de desbancar novamente Nadal, como fez em 2015, em uma das duas únicas derrotas do espanhol em Roland Garros. O sérvio acabou faturando o título no ano seguinte. O alemão Alexander Zverev e o grego Stefanos Tsitsipas correm por fora na briga pelo troféu deste ano.

Na chave feminina, o Grand Slam francês também terá baixas de peso, como aconteceu no US Open. A número 1 do mundo, a australiana Ashleigh Barty, segue fora e não poderá defender o título de 2019. Além disso, a japonesa Naomi Osaka desistiu por problemas físicos, após ser campeã em Nova York. Assim, despontam na briga a americana Serena Williams, a bielo-russa Victoria Azarenka, vice-campeã do US Open, e a romena Simona Halep.

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'Se protocolos forem seguidos, vou me sentir segura com torcida', diz Stefani

Em entrevista ao Estadão, tenista brasileira diz se sentir dividida diante do retorno do público aos jogos

Entrevista com

Luisa Stefani, tenista brasileira

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2020 | 17h47

A duplista brasileira Luisa Stefani diz se sentir dividida em relação à presença de torcedores em Roland Garros, torneio de Grand Slam que terá início neste domingo. Ao mesmo tempo que comemora o retorno da animação nas arquibancadas, ela reconhece que ter fãs no complexo de Paris pode ser "preocupante".

No entanto, aposta na rigidez dos protocolos de segurança. "Se for feito com todos os cuidados e se os espectadores respeitarem os protocolos de segurança, acho que dá para voltar de uma maneira legal, com distanciamento, respeitando as normas", disse a tenista ao Estadão.

Stefani e a americana Hayley Carter vão entrar no torneio com status de favoritas em razão da boa campanha que vêm fazendo desde o retorno do circuito. No US Open, alcançaram as quartas de final, a melhor campanha da brasileira em um Grand Slam. Antes, foram campeãs em Lexington e Newport Beach, nos Estados Unidos. Às vésperas de Roland Garros, chegaram à semifinal em Roma e à final em Estrasburgo, na França.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Qual é a sua expectativa para Roland Garros?

Minha expectativa é continuar jogando e aproveitando cada jogo, como temos feito desde o retorno do circuito. É bom podermos estar jogando agora. Há alguns meses nem sabíamos se teria circuito, se poderíamos estar jogando. Então, só de estar aqui já é muito gratificante. O resto é manter o foco e os treinos, sem pensar demais porque é um Grand Slam. É a meta, é onde a gente sempre quer estar. Agora é aproveitar o momento e fazer o que temos feito, porque está dando certo.

Pela boa campanha que vocês vêm fazendo desde a retomada do circuito, você e a Carter se consideram como uma das duplas favoritas?

Sim, acho que estamos tendo uma retomada no circuito muito boa. Em todos os torneios que já jogamos, enfrentamos as melhores do mundo e fomos bem. Em alguns ficamos para trás, em outros ganhamos. Isso dá confiança de que podemos ir longe e ganhar o título, sim.

Como será voltar a jogar com torcida nas arquibancadas?

Pô, vai ser muito legal jogar com torcida de novo, um pouco mais animado, e não tão silencioso.

Na sua opinião, é o momento certo para o retorno dos torcedores?

Acho que só vamos saber depois de um tempo, depois do torneio. Se for feito com todos os cuidados e se os espectadores respeitarem os protocolos de segurança, acho que dá para voltar de uma maneira legal, com distanciamento, respeitando as normas. Isso é o mais importante. Mas eu me sinto segura se os protocolos forem seguidos. Não teremos nenhum contato com os torcedores. E isso dá um pouco de alívio nesta volta da torcida.

As regras e os protocolos de Roland Garros serão os mesmos do US Open?

Os protocolos serão parecidos, com o uso de máscara, o distanciamento social e a permanência dentro da 'bolha'. Os jogadores e suas equipes só podem ficar nas áreas designadas pela organização do torneio, como os hotéis oficiais. A maior diferença será a presença dos fãs, que é a mais preocupante também.

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