Reprodução/Instagram
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Conheça Kevin Krawietz, campeão de Roland Garros que trabalha em um supermercado

Tenista alemão diz que decidiu mudar de ares para fazer 'uma ocupação normal'

Raul Vitor, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2020 | 07h00

Campeão de  Roland Garros em 2019, Kevin Krawietz se tornou notícia em todo o mundo por uma decisão tomada que o deixa bem distante das quadras. O alemão resolveu, de acordo com suas próprias palavras, ter um "trabalho de gente normal" nesse período e passou a fazer funções em um supermercado em sua cidade, ao invés de se dedicar apenas ao tênis, como faz a maioria de seus adversários.

Kevin Krawietz arrumou um trabalho em um supermercado na cidade de Munique, Alemanha, apesar de possuir autorizações especiais que lhe permitem treinar entre três e quatro vezes ao longo da semana, enquanto a temporada de tênis está suspensa, por causa da pandemia do novo coronavírus. O atleta "agradece" por estar exercendo um "trabalho normal" enquanto o mundo esportivo parou.

"Dei-me ao luxo de converter o meu passatempo na minha profissão e agora quis viver a experiência de um trabalho normal, como outras pessoas. Tenho a oportunidade de fazê-lo por causa do coronavírus", explicou Krawietz à revista alemã Der Spiegel.

O tenista, de 28 anos, que já recebeu cerca de 80 mil euros (R$ 488 mil) de premiação, passou a receber 450 euros (R$ 2.745 mil) por mês no novo emprego. Krawietz contou como tem sido sua rotina de repositor de mercadorias. "Eu ordeno as prateleiras, me certifico de que as salsichas e o queijo estão bem estocados e jogo fora as caixas vazias", explicou o atleta, que acrescentou: "Na semana passada, estava na segurança, na entrada, e limpei os carros com desinfetante".

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Eu ordeno as prateleiras, me certifico de que as salsichas e o queijo estão bem estocados e jogo fora as caixas vazias
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Kevin Krawietz, tenista alemão

O alemão nasceu no dia 24 de janeiro de 1992, na cidade de Coburg, pertencente ao Estado da Baviera, à aproximadamente 380 km da capital alemã, Berlim. Tomou gosto pelo tênis por causa de seus pais Rudolf e Ingrid, que introduziram o esporte ao garoto, em 1997, quando ele tinha cinco anos de idade. Desde então, o alemão não largou mais as raquetes. De 1998 a 2003, treinou com Zoran Obrovski e depois, de 2003 a 2008, com Christian Hohn.

Em 2009, aos 17 anos, Krawietz deixou o interior da Alemanha para treinar em Munique, na Tennisbase Oberhaching. No mesmo ano, conquistou seu primeiro título em duplas de Grand Slam, o torneio Wimbledon Boys Doubles, ao lado de Pierre-Hugues Herbert, com quem seria campeão de mais dois ATP Challenger Tour, em 2015 e 2016.

Dez anos depois de seu primeiro título, Krawietz protagonizaria a vitória inédita de uma dupla formada por dois alemães em Roland Garros, na França, ao lado de Andreas Mies. Ambos integram, agora, junto a mais duas duplas 100% alemãs, a exclusividade da conquista de Grand Slams. Por sinal, Krawietz e Miles formam o segundo time masculino da Era Aberta a conquistar o título de duplas em sua estreia, em Roland Garros. 

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Dei-me ao luxo de converter o meu passatempo na minha profissão e agora quis viver a experiência de um trabalho normal, como outras pessoas
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Kevin Krawietz, tenista alemão

A Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e a Associação do Tênis Feminino (WTA, sigla em inglês) suspenderam, no dia 18 de março, a temporada regular de tênis até o dia 7 de junho. Enquanto isso, em harmonia com seu trabalho, Krawietz aproveita para refletir sobre seu bom momento no esporte e lembra que nem sempre teve o privilégio de performar dentre os melhores. "Certa vez, ganhei um torneio na Itália, pouco mais de mil euros em uma semana. Mas é preciso descontar os impostos, as despesas de viagem e o pagamento do treinador, e acaba não sobrando grande coisa", contou o alemão.

Portanto, o atleta sabe que atuar nas posições inferiores do ranking não é algo simples. Esse é um dos motivos para que Krawietz apoie o fundo lançado por Novak Djokovic, que tem o intuito de ajudar financeiramente os jogadores das categorias inferiores durante a pandemia. "Certamente (o fundo) ajudará um certo número de jogadores a poderem sobreviver. Mas, independentemente do coronavírus, seria bom se pudéssemos permitir que jogadores classificados além do 100.º lugar no ranking mundial vivessem melhor", disse.

Krawietz é atualmente o 13.º colocado do ranking da ATP e garante que permanecerá em seu novo trabalho até a normalização do circuito profissional. Ele conquistou o primeiro lugar na categoria de duplas, em 2019, ao lado de  Andreas Mies.

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