Contas da Gestão Nastás são rejeitadas

Até mesmo o chamado grupo da situação não viu como aprovar as prestações de contas dos anos de 2003 e 2004 da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), diante do cenário apresentado pela gestão de Nelson Nastás. Com números irreais, falta de documentação, informações inexatas e nenhuma explicação às cobranças do Tribunal de Contas da União (TCU), que exibe uso indevido do dinheiro da entidade, como pagamento de contas pessoais, a primeira assembléia do dia, realizada em Brasília (DF), rejeitou por unanimidade as contas apresentadas. Será preciso uma auditoria e até mesmo um inquérito para apurar as irregularidades, como explicou o presidente da assembléia, o advogado Paulo Rogério Amoretty.Nelson Nastás, afastado da presidência desde o dia 7, e sem conseguir sucesso na liminar em que tentava retomar o comando da entidade, sequer apareceu na primeira das duas assembléias marcadas para esta quinta-feira em Brasília. O grupo da situação, porém, ainda tentou uma última cartada. Queria impugnar as assembléias alegando que o estatuto não estaria sendo respeitado. O fato é que federações em débito com a CBT não teriam o direito de participar. Só que, com exceção de São Paulo, todas as federações , até mesmo da situação estão inadimplentes, como Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraiba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Diante dessa situação, tiveram de se calar, pois tentaram usar uma arma que não tinham.O interventor, Sérgio Opréa de Carvalho, já havia determinado que todas as federações teriam direito a voto, pois sua auditoria não teve tempo hábil para certificar-se se todos os débitos eram mesmo devidos. Ainda assim, as federações do grupo de oposição se preveniram e pagaram as contas, como Alagoas, Amazonas, Bahia, Brasília, Santa Catarina, Ceará, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Goias, Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rio de Janeiro, além de São Paulo única do grupo da situação com as contas pagas.Com a situação resolvida e portas abertas para imprensa e assistentes, a assembléia ouviu e discutiu explicações pouco convincentes de Cláudio Damasceno, que primeiro se apresentou como auditor, depois como consultor. Iniciou a apresentação dizendo que tinha conhecimento de 100% dos documentos. Alertado de que passaria então a ter responsabilidade pelo números, acuou-se e admitiu que não tinha visto tudo. Confessou ainda que toda a documentação de 2004 não tinha sido apresentada. "O contador da CBT - Akiler Omae Júnior - me informou que está nas mãos do Nelson Nastas." O contador da entidade também não participou da assembléia, assim como os membros do conselho fiscal que assinaram a prestação de contas, Carlos Gandara e Miguel Pires. O terceiro integrante do conselho fiscal, João Luiz Moreira, depois de constatada irregularidades, negou-se a assinar a documentação.A prestação de contas apresentada vinha com assinatura do contador de Nelson Nastás, Akiler Omae Júnior, provenientes de Ademar Franco, da Franco Associados Auditores Independentes, contratada pela CBT. "Todos terão de fazer esclarecimentos", afirmou Paulo Rogério Amoretty, que dirigiu a assembléia em Brasília.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.