Coroado rei do saibro, Nadal chora

Emocionado, o jovem Rafael Nadal revelou seu lado mais humano. Ao ser coroado o novo rei do saibro, na conquista do título de Roland Garros, com vitória sobre o argentino Mariano Puerta por 6/7 (8/6), 6/3, 6/3 e 7/5), pela primeira vez na sua carreira chorou após uma vitória. "Nunca aconteceu antes... mas chorei sim. Acho perfeitamente normal", disse o novo campeão em Paris. Esta cena reforçou toda a importância da façanha em Paris. Um resultado que o coloca uma das mais promissoras revelações do tênis mundial. Sem exageros, pode ir muito longe ainda esse ano, como considerou seu adversário na final de ontem. "Perdi para o melhor do mundo". Com uma temporada impressionante de seis títulos conquistados, todos no saibro (Costa do Sauípe, Acapulco, Montecarlo, Barcelona, Roma e Paris), Rafael Nadal revela uma performance invejavel. Conquistou sua 24.ª vitória consecutiva e demonstra o melhor retrospecto do ano, com 48 jogos ganhos em 54 disputados, contra 46 em 49 do suíço Roger Federer. A jovem força espanhola, ainda tem muitas chances de alcançar a liderança do ranking mundial nos proximos meses. Pois enquanto seu maior rival, Federer defende milhares de pontos (mil de Wimbledon, outros mil do US Open, além de 500 de Toronto e 225 de Halle), Nadal vê um horizonte livre de preocupações e tudo o que fizer é, praticamente, só lucros. Mas nada veio de graça, como é habitual. "Tive anos de muitos sacrifícios, duro trabalho para atingir um bom nivel", contou Nadal em uma curiosa e divertida entrevista coletiva, em que alterou frases em inglês, com outras em espanhol na maior das inocência e bom humor. "E tive todas as dificul dades esperadas na partida contra Puerta. Não foi nada fácil." Em meio a risos e divertidos comentários, Nadal confessou que a chave de sua vitória foi a luta, a garra, duas de suas maiores virtudes. Seu tio e treinador, Toni Nadal, responsavel por tirá-lo do futebol e levá-lo ao tênis, concordou e considerou: "O M ariano Puerta jogou melhor nesta final, mas Rafa teve mais sorte nos momentos importantes". Uma mescla de sorte e luta determinaram mesmo a vitória de Rafael Nadal. Afinal, Mariano Puerta em outra surpreendente atuação esteve muito próximo de levar a partida para um quinto set. Teve três set points na mão, mas Nadal revelou sua maior virtude, a de acreditar em todas as bolas e usar sua incrível facilidade para manter-se vivo na disputa e terminar o jogo em quatro sets. Como prêmio pelo seu esforço, valor e talento, ninguém estranhou quando não deu a mínima para protocolos e escalou as arquibancadas para dar as mãos ao rei Juan Carlos, da Espanha, buscou ainda seus amigos e familiares para longos e emocionados abraços. Depois, ao receber o troféu dos Mosqueteiros das mãos do craque Zidane, ainda ameaçou - e foi impedido a tempo - colocar o troféu no chão. Sem muitas rodeios confessou. "Ganhar Roland Garros é um sonho que sempre tive e agora se concretizou. É inacreditavel e nem sei explicar direito o que sinto." Ainda nesta segunda-feira, Nadal viaja para Halle, onde esta semana disputa um preparatório para Wimbledon, em quadras de grama. Longe de ser favorito, disse que vai aproveitar a competição para aprender um pouco mais como se joga em quadras rápidas. "Tenho apenas 19 anos e muito a melhorar, como, por exemplo, os meus voleios." Logo segue as doutras duas - o mais novo e projeção de ranking com prêmios

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