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Cristiano Andujar/ Divulgação
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Crise faz CBT reduzir custos e afeta tenistas

Confederação sofre redução de seu principal patrocínio e troca até local da sede; atletas perdem bolsa

Felipe Rosa Mendes, enviado especial a Florianópolis (SC), O Estado de S.Paulo

11 de março de 2017 | 07h00

O tênis brasileiro não ficou imune à crise econômica. Com perda de 78% do valor do patrocínio dos Correios em 2016, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) precisou demitir funcionários e mudou sua sede para reduzir custos. Individualmente, os principais tenistas do País, como Thomaz Bellucci, Bruno Soares e Marcelo Melo, perderam as bolsas que recebiam mensalmente no contrato de patrocínio com a estatal.

A perda para os atletas alcança até R$ 10 mil mensais, caso dos melhores duplistas do Brasil, fora os bônus por resultados. Soares, que atualmente forma dupla com o escocês Jamie Murray, ficou sem o pagamento extra, que lhe rendeu no ano passado R$ 50 mil como premiação pela conquista do Aberto da Austrália – só não ganhou mais, pelo título do US Open, porque já atingira o teto da premiação com o troféu em Melbourne. 

No caso de Bellucci, número 1 do Brasil, e de Teliana Pereira, que chegou a figurar no Top 50, as bolsas variavam entre R$ 6 mil e R$ 8 mil. Para os tenistas mais jovens, como Orlando Luz e Beatriz Haddad Maia, os valores giravam em torno de R$ 2,5 mil, segundo dados da CBT. 

Ao todo, 24 tenistas do Brasil, dos mais jovens aos campeões de Grand Slam, estão sem as bolsas desde setembro do ano passado, quando se encerrou o vínculo anterior da CBT com os Correios. “Os Correios respeitam e valorizam os esforços dos atletas, porém seus contratos de patrocínio precisam limitar-se aos valores que orçamentariamente se impõem no momento”, afirmou o presidente da estatal, Guilherme Campos.

Na renovação do contrato, a CBT não conseguiu manter o valor de patrocínio anual de R$ 9 milhões. O tombo de 78% significa pagamento de R$ 2 milhões por ano no novo contrato, com duração até o fim de 2018.

O patrocínio da companhia estatal era a principal fonte de orçamento para a CBT, que agora tem o repasse de R$ 2,3 milhões anuais do Comitê Olímpico do Brasil (COB), por meio da Lei Agnelo-Piva, como maior fonte de recursos. 

Com a “drástica” redução nos valores dos Correios, segundo palavras do novo presidente da CBT, Rafael Westrupp, a entidade precisou fazer esforços para se enquadrar à nova realidade. E cortou seu Plano Nacional de Alto Rendimento, que desde 2013 provia aos tenistas uma bolsa de patrocínio mensal.

“Tivemos de nos readequar financeiramente, não para encaixar o orçamento na CBT, mas para encaixar a CBT dentro do orçamento do tênis”, disse ao Estado o presidente Westrupp, empossado no último sábado. “Não estamos mais conseguindo fazer o pagamento na conta deles, mas estamos dando suporte e condições para se manterem bem no calendário neste ano”, afirmou, referindo-se à ajuda com passagens aéreas aos principais atletas. 

Neste processo de enxugamento da estrutura, a CBT reduziu também o quadro de funcionários de 19 para 14 e extinguiu alguns cargos, o que resultou em economia de R$ 89 mil/mês. 

Outra forma de conter despesas foi deslocar a sede de São Paulo para Florianópolis. A mudança significou economia mensal de R$ 20 mil com o aluguel da sede na capital paulista. “Éramos inquilinos lá, não tínhamos quadra. Hoje a CBT tem uma casa, com cinco quadras, e onde já foi disputada Copa Davis e três edições do WTA de Florianópolis”, explica Westrupp, que é natural da cidade.

A CBT vai funcionar no prédio da Federação Catarinense de Tênis, já presidida por ele, porém com gestões separadas

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