Davis: sem Guga, Brasil corre riscos

A má fase de Gustavo Kuerten, provocada pela lesão na púbis, coloca o Brasil em risco de rebaixamento na Copa Davis. Se Guga confirmar a tendência de não jogar diante da República Checa, de 8 a 10 de fevereiro, em Ostrava, a equipe brasileira fica enfraquecida. E uma derrota na primeira rodada do Grupo Mundial levaria o País para a repescagem, jogando sua permanência na elite do tênis mundial, diante de outros perdedores desta primeira fase da competição, em confronto que poderá ser bem complicando, dependendo de sorteio. A possibilidade de Guga não ir a República Checa é grande, embora o tenista não tenha definido ainda. Os jogos serão disputados em condições perigosas para o problema físico do brasileiro: uma quadra de carpete. "Nas quadras de cimento ou de carpete, sinto ainda mais dores e dificuldades para jogar", avisou Guga, em Melbourne. "No saibro consigo desenvolver melhor o meu jogo, sem forçar muito a virilha." Além disso, uma participação de Guga na Copa Davis poderia comprometer todo seu desempenho na temporada de 2002. Como se não bastasse, o desinteresse pela competição parece aliar-se ao fato de seu técnico, Larri Passos, não fazer mais parte da equipe do Brasil, o que, certamente, diminuiria seu entusiasmo em viajar para Ostrava. Nesta encruzilhada de jogar sempre sentindo dores, Guga parece que agora terá de escolher o outro caminho: o do descanso e tratamento. Afinal, sua contusão apareceu há oito meses e desde 6 de setembro do ano passado, quando perdeu nas quartas-de-final do US Open para o russo Yevgeny Kafelnikov, sua curva de derrotas acentuou sensivelmente. Nos últimos meses, Guga amargou a pior fase de sua carreira. Foram dez derrotas em 11 jogos. Por isso, sabe que não adianta mais insistir no mesmo caminho e confessou em Melbourne a disposição de investir na sua total recuperação. "Fico chateado com este problema, pois fiz tudo o que deveria na pré-temporada. Descansei, passei por fisioterapia e realizei bons treinamentos. Por isso, resolvi viajar para a Austrália e fazer um teste. Mas não deu para jogar como gostaria neste início de temporada." Guga vai ficar por mais alguns dias na Austrália "ainda não sei o que fazer até a próxima semana", diz. Espera aproveitar este tempo para realizar exames e iniciar tratamento com os médicos da própria Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Aliás, ao deixar a quadra de Melbourne Park, após a derrota para Julien Boutter, o tenista brasileiro passou por exames antes mesmo de ir para a entrevista coletiva. Depois confessou que o Aberto da Austrália deste ano foi "só frustração e dor".

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2002 | 18h00

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