Gregg Newton / AFP
Gregg Newton / AFP

Davis tem novo formato aprovado e terá 18 países atuando em sede única em 2019

Empresa de Gerard Piqué, do Barcelona, ajuda a impulsionar mudança no principal torneio de seleções do tênis

Estadão Conteúdo

16 de agosto de 2018 | 13h10

A Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta-feira que aprovou uma reforma radical no formato de disputa da Copa Davis, que a partir de 2019 será realizada em sede única e terá apenas uma semana de duração, na qual 18 países lutarão pelo título da principal competição de nações da modalidade.

A entidade informou que o novo sistema criado para a competição foi ratificado em uma assembleia da ITF realizada nesta quinta em Orlando, nos Estados Unidos, onde 71,43% dos participantes de uma votação foram favoráveis a esta mudança. A modificação foi impulsionada pela empresa Kosmos, cujo fundador e presidente é Gerard Piqué, zagueiro do Barcelona e que no último sábado anunciou sua aposentadoria da seleção espanhola.

Será uma revolução na tradicionalíssima Davis, disputada há 118 anos com confrontos em diversas sedes diferentes e sempre com um país atuando como mandante. E a primeira edição da competição contendo este novo formato já tem sua data marcada. Será entre os dias 18 e 24 de novembro do ano que vem, em Madri, na Espanha, ou Lille, na França. Em comunicado nesta quinta, a ITF prometeu anunciar a sede "nas próximas semanas".

O presidente da ITF, David Haggerty, comemorou a aprovação do novo formato. "Estou muito contente que as nações votaram hoje para garantir o status de longo prazo da Copa Davis", afirmou o dirigente norte-americano, apostando que a mudança elevará o grande torneio a um "novo padrão". "Este novo evento criará um verdadeiro festival de tênis e entretenimento, que será mais atrativo para jogadores, fãs, patrocinadores e emissoras", aposta.

Com este sistema de disputa em tiro curto, a ITF espera que a Davis se torne prioridade de todos os tenistas de elite, o que não ocorre em muitos confrontos entre países atualmente por causa de problemas de calendário ou de prioridades dadas aos jogadores a outras competições da ATP. E a ITF vê essa mudança também como uma forma de promover futuras gerações de tenistas por acreditar que a Davis passará a gerar maiores quantias em dinheiro aos países envolvidos nesta competição.

"Além disso, as novas receitas para as nações que o evento irá gerar terão um efeito transformador no desenvolvimento do tênis em todas as nações. Nossa missão é garantir que esta decisão histórica beneficie a próxima geração de jogadores nas próximas décadas", disse Haggerty.

Este novo formato de disputa foi proposto pela empresa de Piqué, sendo que o presidente da ITF assegurou que o sistema aprovado está alinhado com o que já havia sido sugerido pelo Conselho de Jogadores da ATP em 2016. Ele ainda crê que o formato renderá US$ 25 milhões (cerca de R$ 97 milhões) anuais às federações envolvidas e outros US$ 20 milhões (algo em torno de R$ 78 milhões) aos tenistas.

'DIA HISTÓRICO'

Piqué também comemorou nesta quinta-feira a aprovação do novo sistema de disputa da Davis. "Hoje é um dia histórico e estamos convencidos de que o acordo ratificado pelas nações certamente garante o futuro da Copa Davis e o desenvolvimento do tênis em todos os níveis", ressaltou o defensor do Barça e presidente da Kosmos.

"Gostaria de agradecer ao presidente da ITF, David Haggerty, ao Conselho de Administração da ITF e a toda a equipe de profissionais da ITF por seu trabalho com a Kosmos nos últimos meses e dar as boas-vindas a uma nova etapa na qual continuaremos a evoluir juntos. Gostaria de parabenizar todos aqueles que, com seus votos, abraçaram essa mudança e viram a importante decisão que estava em suas mãos", reforçou Piqué, por meio de declarações reproduzidas pela Federação Internacional de Tênis.

Amante do tênis, o zagueiro também admitiu estar honrado por ter participado diretamente deste processo que revolucionará a Davis a partir de 2019. "Este é o início de uma nova etapa que garante o lugar preeminente e legítimo que a Copa Davis deve ter como uma competição para as seleções nacionais, ao mesmo tempo em que se adapta às exigências deste esporte profissional no mais alto nível. É uma grande honra para mim fazer parte deste processo histórico de um esporte pelo qual eu sou apaixonado e, sem dúvida, em termos pessoais e profissionais, este é um dos dias mais felizes da minha vida", enfatizou.

O acordo entre as partes é de 25 anos e representará um investimento total neste longo período de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 11,7 bilhões), segundo a ITF, que destacou que este grande montante previsto vai criar "níveis substanciais e históricos de investimento no desenvolvimento global do tênis" e de suas 210 associações nacionais. "Haverá um aumento significativo na renda das nações da competição e um novo fundo de US$ 20 milhões, elevando a Copa Davis aos níveis de dinheiro dos (torneios de) Grand Slam", ressaltou a entidade.

QUALIFYING EM FEVEREIRO

O novo formato da Davis também prevê a realização de uma fase de qualificação em fevereiro de 2019, quando 24 países participarão de partidas em casa e como visitantes, preservando assim também um "elemento chave da herança da Copa Davis", enfatizou a ITF. "Os 12 vencedores garantirão um lugar direto na fase final e se juntarão aos quatro semifinalistas do ano anterior - que se qualificam sem ter que jogar em fevereiro - e a dois países convidados que serão anunciados antes do sorteio da rodada de qualificação", revelou a entidade.

Já a disputa que ocorrerá entre os dias 18 e 24 de novembro do ano que vem será em um formato de round robin, de segunda a quinta-feira, com os países divididos em seis grupos e com cada rodada classificatória contando com três jogos, sendo dois de simples e um de duplas, em melhor de três sets cada um.

Pelo regulamento criado, os seis líderes de cada chave e os dois melhores segundo colocados vão avançar às quartas de final, que ocorrerão em uma sexta-feira, enquanto o sábado e o domingo serão reservados para as semifinais e para a grande decisão.

Os dois países de pior campanha na fase de grupos vão ser rebaixados para o Zonal da Davis do ano seguinte e o restante dos países que não se classificarem para as semifinais participarão do qualifying em fevereiro de 2020.

 

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