Despedida de Guga em Roland Garros gera polêmica

Jornalista do L'Equipe critica participação de Guga no Grand Slam francês; Matts Wilander defende

Chiquinho Leite Moreira, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2008 | 14h58

Nem todos gostaram, se emocionaram ou aprovaram a despedida de Gustavo Kuerten em pleno Roland Garros. A festa, a entrega de troféu ainda na primeira rodada, num torneio da importância de um Grand Slam gerou polêmica e, segundo um editorial do L’Equipe, o mais influente diário esportivo francês, o adeus de Guga na quadra central, no venerado estádio Philippe Chatrier, em nada acrescentou ao esporte.Veja também: Aposentado, Guga quer conhecer a Europa como mochileiroA opinião é do jornalista Franck Ramella. Para ele, colocar em quadra um tenista sem condições físicas, certo de que seria derrotado e ainda premiá-lo com um troféu trata-se de uma coisa patética, fora de propósito.A apresentação de Guga - na derrota para Paul Henri Mathieu por 6/3, 6/4 e 6/2 - contrariou a expectativa de um jogo fácil. O tenista brasileiro teve uma bela atuação, relembrou seus bons tempos, emocionou o público e deu um bom espetáculo.Ainda assim, Ramella manteve-se duro em sua opinião, como afirmou nesta terça-feira, em Paris. "Fazer o público chorar é muito fácil", disse. "Qualquer dramalhão de tevê consegue emocionar. Acho que pode fazer parte do show, mas não do esporte levado a sério."Em razão da má atuação de Guga em Montecarlo (perdeu em dois rápidos sets para Ivan Ljubicic) existia sim uma grande preocupação com o que poderia acontecer em Roland Garros. O próprio jogador confessou-se atento a este fato. "Em Montecarlo cheguei em cima da hora, depois de jogar em Florianópolis e não estava tão bem preparado como agora", afirmou em entrevista em Paris. "Mas para Roland Garros treinei seis horas por dia para chegar aqui em condições de jogar no nível em que me apresentei."A polêmica ganhou repercussão internacional, com opiniões favoráveis aos dois lados. O próprio L’Equipe publicou um outro editorial com uma versão bem diferente, escrito pelo ex-tenista e também ex-tricampeão de Roland Garros, o sueco Mats Wilander."Adorei o que vi no domingo", escreveu Wilander. "Temi pelo pior por causa das condições físicas do Guga. Mas não acredito que um jogador como ele, seria estúpido o suficiente para aceitar um convite para jogar Roland Garros sem possibilidades de jogar."COMO NOAH Em defesa de Guga, Wilander chegou até a ser meio agressivo. Com endereço certo afirmou que "acha idiota terem pensado que o Guga poderia ser contra o esporte." Wilander disse que ao ver Kuerten jogando em Roland Garros o fez chegar a uma conclusão:"Guga em Roland Garros é um monumento. Diria que ao lado de Yannick Noah [último francês a vencer o Aberto da França em 1983] é o mais querido jogador do torneio. Ao ver Guga na central, ao observar sua paralela de esquerda, tive a dimensão da magia de seu jogo e como revolucionou o esporte com a sua maneira de jogar no saibro. Percebi que todos estavam emocionados, pois sabiam do que estava se perdendo."

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