Andrew Couldridge/Reuters
Andrew Couldridge/Reuters

Discípulo de Lendl, Zverev já encara lendas da ATP

Aos 21 anos, jovem tenista ainda festeja o título do ATP Finals passando por cima de Federer e do número 1 Djokovic

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 17h30

A promessa se tornou realidade. Dois anos após despontar no circuito profissional, o tenista Alexander Zverev confirmou as expectativas e vem mostrando que, além de ser o jovem de maior sucesso na atualidade, tem condições de rivalizar com os grandes campeões, como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Se depender do alemão, um dos melhores amigos do brasileiro Marcelo Melo, o feito obtido no ATP Finals, no mês passado, é só o começo.

No torneio que reuniu os oito melhores do ano, o tenista de 21 anos derrubou Federer na semifinal e Djokovic, atual número 1, na decisão. Sem perder sets. Foi o maior título de sua carreira. Tornou-se o mais jovem campeão da competição desde 2008. O último alemão a levar o troféu, em 1995, havia sido Boris Becker, que reconhece a ascensão do compatriota. “Por anos, estamos dizendo que o tênis precisa de novos rostos e novos e bons jogadores. Ele provou que já é o melhor desta nova geração”, elogia o ex-tenista.

O reconhecimento de Becker não é por acaso. Zverev, número quatro do ranking, foi o tenista que mais venceu partidas na temporada: 58 em 77 jogos. Os resultados lhe renderam quatro troféus. Além da consagração no ATP Finals, em Londres, foi campeão em Munique, Washington e no Masters de Madri – em diferentes pisos.

Com 21 anos, o alemão já tem desempenho equivalente ao do trio que vem dominando o circuito nas últimas duas décadas. Ele supera os números de Federer, que com a mesma idade tinha seis troféus e alcançara o quarto posto do ranking. Zverev soma dez títulos e já foi o número 3. Djokovic, também com 21 anos, tinha 11 títulos e a mesma posição no ranking. Nadal é o ponto fora da curva nesta comparação: com esta idade, já conquistara 23 troféus e o segundo lugar do mundo.

“Não posso dizer se serei o futuro líder do tênis. Não acho que devo ser o único a responder a esta pergunta, não sou qualificado para isso”, disse Zverev, recentemente. “Mas tenho muitos anos pela frente ainda e tudo pode acontecer. O que posso dizer é que vou fazer o possível para estar no topo.”

O talento do jovem alemão vem de família. Seus pais foram tenistas na União Soviética. Sua mãe, Irina, esteve entre as quatro melhores do país. E o pai, Alexander, foi top 200 da ATP. Seu irmão Mischa, de 31 anos, é o atual 69.º do mundo. A família russa se mudou em 1991 para Hamburgo, na Alemanha, onde Zverev nasceu. Ele ainda mora com a família, agora em Monte Carlo.

O início com o esporte se deu aos 5 anos. Se os pais contribuíram com a iniciação, o irmão favoreceu o contato precoce com o mundo do tênis. Zverev acompanha Mischa desde a adolescência nos principais torneios do circuito, o que se revelou um trunfo do alemão ao se profissionalizar. Enquanto outros jovens apenas sonhavam com as quadras centrais das principais competições, ele já batia bola até com referências, como Nadal, em Grand Slams. 

Outro trunfo de Sascha, como Zverev é conhecido pelos mais próximos, é o seu time, composto pelo preparador físico Jez Green e pelo fisioterapeuta Hugo Gravil, ambos prestigiados em sua área. Juntos, ajudam não apenas na evolução do tenista dentro e fora de quadra mas também em sua atitude nas disputas. O atleta ainda é conhecido pelos atos juvenis, por quebrar raquetes em quadra e declarações polêmicas. Por causa de uma delas, rompeu com o técnico espanhol Juan Carlos Ferrero, que o acusou de falta de disciplina. Para o seu lugar, Zverev contratou o lendário checo Ivan Lendl, que voltou aos holofotes nos últimos anos ao ajudar o escocês Murray a alcançar o topo.

Trabalhando com o alemão desde agosto, ele já colhe frutos. Zverev mudou sua postura, apresenta estilo mais agressivo em sua técnica e vem mostrando maior evolução física. Com Lendl, Sascha espera romper a barreira mais difícil da carreira: brilhar nos Grand Slams. Até agora seu melhor resultado foi chegar às quartas de Roland Garros deste ano.

A falta de boas sequências nos Slams contrasta com a alta expectativa depositada sobre aquele que foi eleito em 2015 a “Estrela do Amanhã”, prêmio da ATP ao mais jovem a integrar o top 100 naquela temporada. 

AMIZADE COM MELO

Ao levantar o troféu do ATP Finals, há 15 dias, Zverev não deixou de citar o duplista Marcelo Melo, seu melhor amigo no tênis. “Queria agradecer ao Marcelo, meu melhor amigo, está sempre comigo. Ele jogou a final aqui no ano passado. Talvez vocês não se lembrem, mas ele também é muito bom neste esporte”, disse, entre risadas. 

A amizade começou em 2015 e, desde então, é comum ver a dupla de gerações diferentes entre brincadeiras e treinos em registros nas redes sociais. “Eu conheci o Zverev em Roterdã, em 2015, em meio a brincadeiras antes de entrar em quadra. No meio do ano passado, ficamos mais próximos”, afirmou o brasileiro de 35 anos, em entrevista recente ao Estado.

 

 

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