Andrej Isakovic / AP Photo
Andrej Isakovic / AP Photo

Djokovic admite reunião entre jogadores, mas nega proposta de boicote

Encontro debateu criação de um sindicato ou de uma associação somente com a presença de tenistas e o aumento no valor das premiações

Estadão Conteúdo

16 Janeiro 2018 | 15h38

Um dos focos de atenção neste Aberto da Austrália, em razão dos seis meses de ausência no circuito, o sérvio Novak Djokovic se tornou o centro das atenções nesta terça-feira. Mas não foi pela boa estreia, na vitória em sets diretos sobre o norte-americano Donald Young. Ainda na segunda, rumores davam conta de que ele teria interferido numa reunião da ATP para pedir maiores premiações aos torneios de Grand Slam.

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De acordo com o jornal inglês Daily Mail, o tenista entrou na reunião acompanhado de um advogado e teria pedido para que deixassem a sala todos os que não eram jogadores. O tema da assembleia restrita aos atletas teria sido a criação de um sindicato ou de uma associação somente com a presença de tenistas e o aumento no valor das premiações. Em seguida, surgiram rumores até de que o sérvio teria sugerido um boicote aos torneios.

Nesta terça, após sua partida de estreia, Djokovic confirmou a iniciativa sobre a criação do sindicato e a conversa somente na presença dos atletas. Mas negou qualquer ideia de boicote e evitou entrar em detalhes sobre a questão da premiação.

"Eu vi que vocês [jornalistas] me retrataram como alguém que é muito ganancioso, que quer mais dinheiro e quer boicotes", disse o sérvio, em entrevista coletiva. "O que aconteceu foi que nós, jogadores, apenas queremos conversar com jogadores sobre determinados assuntos. Eu não vejo como isso pode ser encarado como pouco saudável", afirmou o tenista, que é o presidente do Conselho dos Jogadores da ATP.

Quando mencionou a intenção de conversar somente com os atletas, Djokovic se referiu à composição da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Apesar de levar esse nome, a entidade não reúne apenas os atletas. A ATP é administrada em parceria entre tenistas e os diretores dos torneios que integram o calendário do circuito masculino. A sugestão do sérvio, portanto, seria formar uma entidade somente com tenistas, sem se afastar da ATP.

Um dia depois da reunião, poucos jogadores aceitaram comentar o encontro. Um dos poucos foi o sul-africano Kevin Anderson, vice-presidente do Conselho dos Jogadores. O vice-campeão do US Open confirmou aos jornais britânicos que o assunto da premiação foi discutido, mas não deu detalhes.

Segundo tenistas, que preferiram não se identificar, as discussões sobre valores se referiam à premiação concedida aos tenistas de fora do Top 100, que têm maiores dificuldades para se manterem no circuito.

Nos últimos anos, após pressão dos jogadores, os quatro torneios de Grand Slam passaram a elevar os valores de prêmio. Somente para esta edição, o Aberto da Austrália aumentou em 10% a premiação total, alcançando a soma de US$ 43 milhões (cerca de R$ 138 milhões). Cada campeão embolsará US$ 3 milhões (R$ 9,6 milhões). Quem perder na primeira rodada da chave principal vai ganhar US$ 45.700 (R$ 146 mil).

De acordo com Kevin Anderson, as discussões iriam para o caminho de trazer maiores premiações para os tenistas que disputam torneios menores, para ampliar a "elite" do tênis do Top 100 para o Top 150 ou até Top 200.

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