Andrej Isakovic/AFP
Andrej Isakovic/AFP

Sem comprovante de vacina contra covid, Djokovic é barrado na Austrália e passa noite no aeroporto

Pai do tenista sérvio diz que o filho foi transferido para uma sala sozinho, separado de sua equipe, sem um telefone celular e com dois policiais na porta

Redação, Estadão Conteúdo

05 de janeiro de 2022 | 14h05
Atualizado 05 de janeiro de 2022 | 17h20

A participação de Novak Djokovic no Aberto da Austrália se tornou uma novela desde o momento em que ele decidiu competir sem comprovar se está vacinado contra a covid-19. O tenista número 1 do mundo desembarcou em Melbourne nesta quarta-feira, 5, mas foi barrado no aeroporto porque teve problemas com o preenchimento de seu visto. O sérvio teria apresentado documentação errada logo após descer do avião no aeroporto Tullamarine. De acordo com a imprensa australiana, a equipe de Djokovic teria cometido um erro no preenchimento dos formulários do visto, sem acrescentar a importante informação de que ele havia obtido uma permissão médica especial para poder entrar no país sem a necessidade de comprovar a imunização contra a covid-19, requisito obrigatório para todos os que viajam à Austrália.

O jogador desembarcou em solo australiano por volta das 23h30 local, 9h30 pelo horário de Brasília. E, até o momento da publicação desta matéria, ele e sua equipe ainda estariam à espera da permissão para entrar no país. Nem sua bagagem havia sido liberada até então, já no meio da madrugada de quinta-feira, pelo horário local. O pai de Djokovic, Srdjan, disse que o jogador foi transferido para uma sala sozinho, separado de sua equipe, sem um telefone celular e com dois policiais na porta. Ainda segundo a imprensa local, o problema no visto não deve impedir a entrada do tenista, mas deve tornar ainda mais cansativa e desgastante sua chegada à Austrália.

No entanto, é possível que o tenista enfrente novos problemas mesmo após regularizar o seu visto. Ainda no aeroporto, ele terá avaliada a sua permissão especial para entrar no país e disputar o Aberto da Austrália, marcado para começar no dia 17 deste mês. A permissão médica é concedida sob forma de exceção para casos especiais em que um visitante não conseguiu ou não pôde completar a vacinação contra a covid-19. E as autoridades locais vão decidir se aceitam os motivos apresentados pelo líder do ranking mundial.

Djokovic anunciou na terça que estava embarcando para a Austrália após obter a permissão médica especial, o que permite a legislação local. O sérvio, contudo, não divulgou qual era sua motivação. O diretor do Aberto da Austrália, Craig Tiley, disse a repórteres que os motivos podem incluir reações anteriores a vacinas, cirurgia recente, miocardite ou evidência de infecção por coronavírus nos seis meses anteriores. A mais especulada na imprensa australiana era que ele teria contraído o vírus nos últimos seis meses. "Certamente seria importante se Novak explicasse as condições em que ele buscou e conseguiu essa permissão, mas isso cabe a ele", disse Tiley.

A situação, contudo, virou notícia internacional e se tornou mais uma polêmica envolvendo o tenista. Outros atletas e personagens do mundo do tênis já condenaram o pedido de Djokovic para entrar na Austrália mesmo sem revelar seu status de vacinação - ele se recusa a contar se tomou o imunizante.

A polêmica cresceu tanto que o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, precisou vir a público para comentar o caso. E afirmou que não haverá regalias ao tenista caso ele não apresente evidência forte o suficiente para justificar a permissão especial. "Se essa evidência for insuficiente, ele não será tratado de forma diferente e estará no próximo avião para casa. Não deve haver nenhuma regra especial para Novak Djokovic. Absolutamente nenhuma", declarou o político.

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