Tony Ashby/AFP
Tony Ashby/AFP

Edição 2019 de Roland Garros conta com o retorno de Roger Federer

Aos 37 anos, suíço volta ao saibro de Paris após três edições ausente, mas corre por fora diante de Nadal e Djokovic

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 05h30

A edição 2019 de Roland Garros tem início neste domingo com um retorno de peso e uma aparência mais agradável em seu acanhado complexo. Apesar do favoritismo do espanhol Rafael Nadal, será Roger Federer que deve concentrar as atenções dos fãs no saibro de Paris nos próximos dias. Ele estreia contra o italiano Lorenzo Sonego às 11 horas.

Campeão em 2009 e dono de quatro vice-campeonatos, o suíço não compete no Grand Slam francês desde 2015, quando foi eliminado nas quartas de final. O atual número três do mundo voltou ao torneio ao resolver dar uma nova chance ao saibro, superfície em que vinha sofrendo nas últimas temporadas.

Em 2016, Federer ficou fora devido a problemas físicos. Nas duas temporadas seguintes, optou por não disputar competições. Seu objetivo era aumentar a preparação para o ano na grama, que tem Wimbledon como foco, sua maior meta. A estratégia deu certo em 2017, ao levantar o troféu em Londres. Mas não na temporada passada.

Neste ano, Federer surpreendeu ao voltar à terra batida. Para muitos, trata-se de uma gira de despedida no saibro. Ainda sem falar sobre aposentadoria, ele deve se concentrar nas quadras mais rápidas enquanto estiver na ativa. Ele tem 37 anos. Seu retorno ao saibro foi em Madri, quando parou nas quartas de final. Em Roma, abandonou após vencer nas oitavas, em razão de dores na perna direita.

Na capital francesa, ele garantiu estar bem fisicamente. “Estar saudável é o segredo neste momento da minha carreira”, disse. “Estou muito satisfeito em ver como o meu corpo tem reagido nos últimos tempos.”

Roland Garros tem importância histórica para o suíço. Foi nas quadras de Paris que ele iniciou sua trajetória nos Grand Slams, ainda em 1999. Vinte anos depois, Federer é o único daquela chave de 128 atletas que entrará em quadra este ano. Na época, tinha 17 anos e estava lá a convite. “Muita coisa mudou desde então”, atesta o suíço, que se tornou o recordista de títulos de Grand Slam, com 20 troféus. “Minhas memórias vão longe. Lembro vividamente da rivalidade entre Martina Hingis e Steffi Graf. Ela tinha a minha idade, mas fazia coisas que eu não conseguia. Era como seu ainda estivesse de fraldas.”

Em seu reencontro com Roland Garros, Federer já foi surpreendido pela nova etapa da reforma que moderniza o complexo desde 2016. A quadra central, Philippe Chatrier, foi toda renovada. Restou apenas o saibro. As arquibancadas ganharam curvas em uma estrutura reforçada para receber o teto retrátil para a edição de 2020.

Os arredores da Philippe Chatrier se tornaram mais verdes, com destaque para a nova quadra Simonne-Mathieu, construída em meio a quatro estufas em área “anexada” pelo torneio. A estrutura gerou polêmica e ações na Justiça pela localização no Jardins des Serres, local arborizado de Paris e com construções históricas. Para 2021, a nova polêmica deve ser causada pelos jogos noturnos.

Favoritos. Federer corre por fora na disputa pelo título que deve se concentrar entre Nadal, vice-líder do ranking e dono de 11 troféus em Paris, e o sérvio Novak Djokovic, campeão em 2016 e atual número 1. O austríaco Dominic Thiem, vice no ano passado, também deve brilhar.

No feminino, a japonesa Naomi Osaka, número 1, será testada numa superfície que não costuma ir bem. Assim, a romena Simona Halep, atual campeã, surge com uma das favoritas. As checas Petra Kvitova e Karolina Pliskova e a americana Serena Williams correm por fora.

Brasileiros. O País será representado por Thiago Monteiro. Rogério Dutra caiu no qualifying, Bellucci está machucado e Bia Haddad abandonou por lesão a fase por vagas. As apostas estão nas duplas. Bruno Soares jogará com o britânico Jamie Murray, Marcelo Melo estará com o polonês Lukasz Kubot e Marcelo Demoliner atuará com o indiano Divij Sharan.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.