Peter Cziborra/Reuters
Peter Cziborra/Reuters

Tenista Svitolina sonha com o fim da guerra para ver a avó na Ucrânia: ‘Difícil para os mais velhos’

Tenista ex-número 3 do mundo é embaixadora de instituição para coletar doações ao país natal, em conflito com a Rússia

Redação, AFP

21 de junho de 2022 | 11h33

Ex-número 3 do mundo, a tenista ucraniana Elina Svitolina sonha com um cessar-fogo no conflito com a Rússia para finalmente voltar à Ucrânia e ver a sua avó, Tamara, uma senhora com mais de 80 anos que está presa no porto de Odessa, no Mar Negro, desde a invasão russa. 

"Espero que isso acabe um dia e que eu possa vê-la novamente", diz a tenista ucraniana de 27 anos à AFP. "Tenho tanta dor no coração ao ver agora tantas cidades destruídas e como jovens e velhos perderam suas vidas em um momento", lamenta.

Recentemente, Svitolina e o ex-jogador de futebol Andriy Shevchenko tiveram uma reunião por videochamada com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Eles aceitaram o convite do chefe de estado para se tornar embaixadores do United24, uma instituição de caridade promovida para coletar doações e suprir necessidades básicas no país. 

Svitolina está grávida de sua primeira filha, com nascimento aguardado para outubro. A criança é fruto de seu relacionamento com o tenista francês Gael Monfils. As boas notícias, porém, são ofuscadas pela preocupação com o parentes que permaneceram em solo ucraniano. Apenas os pais e o irmão conseguiram deixar o país após Vladimir Putin ordenar a invasão à Ucrânia. 

Svitolina, semifinalista em Wimbledon e no US Open em 2019, diz que a situação de guerra é especialmente dolorosa para a geração de sua avó, que já sofreu com a invasão nazista em 1941.

"É difícil para as pessoas mais velhas se encontrarem no meio de outra guerra. A falta de comida, ficar em casa ou no porão por dias. É extremamente estressante para eles e muito, muito difícil mentalmente", diz a tenista, que tenta ajudar Tamara da melhor maneira possível.

"Ela está com seu gato, que ela diz ser seu maior defensor", conta Svitolina. "Meu tio e sua família não moram muito longe dela. Eles se veem quando é possível sair de casa e isso é uma grande ajuda. Nossos amigos também estão nos ajudando se oferecendo para vê-la."

Apesar de não viver há anos na Ucrânia, Svitolina diz que no seu país se sente "em casa" e que costumava visitá-lo três ou quatro vezes por ano. Seu desejo de fazer algo pelo povo ucraniano vai ao encontro de outras personalidades do esporte local, como o ex-tenista Sergiy Stakhovsky e o técnico do Tiraspol Sheriff, Yuriy Vernydub.

"Muitos dos meus amigos voltaram e pegaram em armas para defender o país", revela. "Tantas pessoas estão com problemas agora, é por isso que sinto que por meio do United24 podemos fazer algo que ajudará todos os ucranianos, militares e crianças que precisam. É um pequeno papel a desempenhar que, esperamos, fará a diferença."

Ela e Shevchenko vão arrecadar fundos por meio de eventos beneficentes e divulgar em suas redes sociais. No entanto, Svitolina não poderá jogar partidas de exibição devido à gravidez.

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