Eduardo Muñoz Alvarez/AFP
Eduardo Muñoz Alvarez/AFP

Em final 'ídolo x fã', Serena mira recorde e Osaka tenta surpreender no US Open

Norte-americana supera dificuldades após gravidez e encontra jovem japonesa que admite idolatria

Felipe Rosa Mendes, Estadão Conteúdo

08 Setembro 2018 | 06h38

Foram meses de afastamento das quadras, preocupação, cuidados médicos e mais um punhado de meses tentando recuperar a forma física e técnica. A partir das 17 horas (de Brasília) deste sábado, Serena Williams terá a oportunidade de compensar todo o esforço dos últimos 12 meses na final do US Open, no qual poderá buscar a redenção no circuito na companhia do recorde histórico de títulos de Grand Slam.

Contando com forte apoio da torcida, a tenista norte-americana vai enfrentar a japonesa Naomi Osaka, uma das promessas do circuito. Para Serena, estará em jogo a segunda chance seguida de alcançar os 24 títulos da australiana Margaret Court, recordista de troféus de Slams em simples tanto no feminino quanto no masculino. Em Wimbledon, em julho, ela foi batida pela alemã Angelique Kerber na final.

Um sétimo título em Nova York marcaria a redenção da norte-americana diante de sua torcida após uma sequência de duros meses em sua vida. Ao dar a luz ao seu primeiro filho, em setembro do ano passado, Serena passou por um parto marcado por complicações. Chegou a correr risco de morte.

Superados os problemas clínicos, a atleta de 36 anos enfrentou a batalha do recondicionamento físico e da recuperação técnica numa idade em que muitas tenistas já se aposentaram. A dificuldade para perder o peso conquistado durante a gravidez se somou às desconfianças quanto à possibilidade de voltar a jogar em alto nível.

As dúvidas foram encerradas em Wimbledon. Mesmo vice-campeã, mostrou que estava de volta. E as últimas desconfianças foram exterminadas com a boa campanha neste US Open. "Sinceramente, é notável chegar a esta decisão. Eu não podia prever isso. Vir daquela situação, da cama do hospital, sem poder andar e fazer nada... E agora, apenas um ano depois, estou em mais uma final."

A ex-número 1 do mundo, atual 26ª do ranking, acredita que pode evoluir inda mais. "Sinto que ainda há muito para eu crescer. Não estou treinando o suficiente ainda, mas estou na segunda final seguida [de Slam]. Isso é apenas o começo. Ainda não cheguei ao meu auge, ainda estou subindo", avisa.

SERENA ENCARA FÃ CONFESSA

Para alcançar a coroação, Serena terá que superar a jovem Naomi Osaka, fã declarada da norte-americana. Enquanto a veterana disputará sua 31ª final de Grand Slam, a nona somente em Nova York, a tenista de apenas 20 anos se tornou a primeira japonesa a disputar uma final deste nível na Era Aberta do tênis.

"É um pouco surreal enfrentar Serena. Quando eu era criança, eu sempre sonhei que jogaria contra ela numa final de Grand Slam. Só pelo fato de estar acontecendo, eu já me sinto muito feliz", diz a japonesa, 19ª do mundo e campeã do tradicional Torneio de Indian Wells, em março.

Apesar da diferença de idade, há semelhanças na trajetória das duas finalistas. Osaka nasceu no Japão, coincidentemente na cidade que carrega no sobrenome. Mas foi morar nos Estados Unidos aos três anos de idade. Ela tem dupla nacionalidade, porém se sente mais à vontade falando inglês do que japonês.

Outro laço que conecta as duas finalistas é o técnico Sascha Bajin, que já trabalhou com a bielo-russa Victoria Azarenka e a dinamarquesa Caroline Wozniacki. Foi com Serena que ele ganhou fama no circuito ao ser rebatedor da americana por oito anos. Com Osaka, ele realiza seu primeiro trabalho como técnico principal, desde o fim do ano passado.

Para o treinador, a japonesa tem potencial para repetir o domínio da veterana no circuito. "Estamos todos na equipe trabalhando duro para que Naomi consiga um dia dominar a quadra, como faz Serena", afirma o alemão de ascendência sérvia. "Eu bati bola com a Serena praticamente todo dia durante oito anos. E as armas de Naomi são quase tão fortes quanto as dela."

Assim como Serena, Naomi tem uma irmã no circuito profissional, Mari Osaka, 367ª do ranking. Na infância, as duas eram constantemente comparadas às irmãs Williams. Não por caso. O pai das japonesas, Leonard François, se inspirou no pai de Serena e Venus, Richard Williams, para tornar suas duas filhas tenistas profissionais.

Neste sábado, os fãs de tênis vão poder descobrir se Naomi dará o seu primeiro passo para ser considerada a futura sucessora da veterana Serena. A tarefa não será simples: derrubar o seu ídolo de infância.

 

 

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