Clive Brunskill/AFP
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Emma Raducanu, após vitória no U.S. Open, mantém os pés no chão

Jovem tenista de 18 anos vira atração principal de eventos e está mais rica e famosa, mas sua vida ficou mais interessantes: uma sessão de rebatidas com a duquesa de Cambridge e aparições no tapete vermelho no Met Gala e na estreia do novo filme do James Bond ‘Sem tempo para morrer’

Christopher Clarey, The New York Times

11 de outubro de 2021 | 10h00

É uma verdade universalmente reconhecida que sua vida não será a mesma depois que você vencer o Aberto dos Estados Unidos como competidora pouco conhecida, aos 18 anos de idade. Emma Raducanu percebeu as mudanças: uma sessão de rebatidas com a duquesa de Cambridge e aparições no tapete vermelho no Met Gala e na estreia do novo filme do James Bond ‘Sem tempo para morrer’, no Royal Albert Hall em Londres.

Sua conta bancária também está mais recheada (e vem muito mais grana a caminho). E as pessoas que ela encontra no dia a dia agora arregalam os olhos. Mas nem tudo mudou.

“Meus pais não deram muita importância”, disse Raducanu. “Quando estive em casa, tudo pareceu bem normal. Aparecer na estreia do filme do Bond, jogar tênis com a duquesa e o Gala, adorei essas experiências, mas, ao mesmo tempo, quando voltei para a quadra de treinamento, era onde eu queria estar de verdade”.

Raducanu estreou com derrota em Indian Wells em sua primeira partida desde sua campanha inacreditável em Nova York, onde em 12 de setembro ela se tornou a primeira qualifier a ganhar um título de simples em Grand Slam.

Mais notável ainda, ela não perdeu nenhum set em dez partidas, provando ser imune à pressão ao limitar seu uso das redes sociais fora das quadras e manter seu plano de jogo agressivo dentro delas, atacando as devoluções, batendo a bola bem perto do chão e acertando saques em cima das linhas.

Raducanu joga com calma e movimentos suaves, sem grunhidos nem muitos gritos. Mas seus golpes são explosivos – e agora ela tem boa parte da atenção do mundo depois de jogar apenas dois torneios de Grand Slam. Ela também está sem treinador, porque teve de dispensar Andrew Richardson, com quem tinha um contrato de curto prazo quando venceu o U.S. Open.

“Acho que o bom é que ainda tenho muito espaço para melhorar, mas já ganhei um Grand Slam”, disse ela. “Acho que não caiu a ficha. Não sei se algum dia vai cair, mas sinto que, agora, em vez de sentir que estou sob muita pressão, me sinto livre, como se estivesse mais solta. Porque você joga tênis para ganhar um Grand Slam e agora eu já ganhei um, então tudo que vier agora é lucro”.

Raducanu tem razão. Jogadoras talentosas, como Karolina Pliskova, 29 anos, que virou profissional de elite já na adolescência, ainda estão atrás de um título importante. Essa busca traz suas próprias pressões, mas o sucesso rápido e inesperado também vem com seu conjunto de desafios.

Max Eisenbud, o empresário de Raducanu, era o agente de Maria Sharapova quando ela se tornou uma estrela global em 2004, ao vencer em Wimbledon com apenas 17 anos de idade. “A diferença entre Maria vencendo Wimbledon e Emma vencendo o Aberto dos Estados Unidos realmente se resume à mídia social”, disse Eisenbud. “Não existiam redes sociais em 2004. E elas fizeram as coisas andarem muito rápido desta vez. Estamos na velocidade da luz”.

Os patrocinadores certamente veem Raducanu como uma figura intrigante. Pouco depois de sua vitória em Nova York, ela se tornou embaixadora global da Tiffany & Co., a marca de joias de luxo, mas Eisenbud disse que o negócio foi fechado antes do U.S. Open, após sua surpreendente classificação para a quarta rodada de Wimbledon, em julho. Agora seu valor subiu bastante. “A chapa está quente”, disse Eisenbud. “Estamos bombando”.

Raducanu está longe de ser a primeira jovem jogadora a ganhar um torneio Grand Slam nesta era igualitária do tênis feminino. Jelena Ostapenko e Naomi Osaka tinham 20 anos quando venceram seus primeiros campeonatos importantes. Bianca Andreescu tinha 19 anos quando levou o U.S. Open de 2019 e o venceu, assim como Raducanu, na sua estreia no sorteio principal em Nova York.

Ao contrário de muitas estrelas do tênis, que costumam estudar em casa desde cedo, Raducanu cursou o ensino médio na Grã-Bretanha, concluindo seus exames finais no verão passado, antes de embarcar na carreira profissional em tempo integral.

“Espero que parte dessa história possa chegar às pessoas”, disse Eisenbud. “Porque tem muitas famílias por aí que estão tirando os filhos da escola normal e estudando em casa, mas não têm chance de jogar tênis profissional, e eu acho isso muito triste. Está em todo lugar que você olha, e eu acho que, com as crianças estudando em casa, você perde muitos aspectos sociais e todas essas coisas”.

Raducanu sem dúvida tem poder para influenciar seus colegas. Embora Osaka e Coco Gauff, jogadora americana de 17 anos, tenham usado suas plataformas para falar sobre justiça social, Raducanu disse que, neste estágio da vida, está mais interessada em promover um estilo de vida ativo do que em ativismo político. “Eu adoro ajudar as gerações mais novas a entrar no esporte, especialmente as meninas, porque acho que o esporte me ensinou muito e me deu oportunidades incríveis”, disse ela. “A confiança que tenho agora, não acho que teria se não praticasse esportes”.

Seu desenvolvimento como tenista é simplesmente espantoso. “É uma loucura, porque eu mal estava conseguindo entrar na lista de classificação”, afirmou, dando risada. “E esse negócio de ser cabeça-de-chave, simplesmente não consigo acreditar. Nunca pensei que minha classificação ficaria tão alta tão cedo. É uma coisa incrível de se ver, e estou muito orgulhosa de mim mesma”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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