Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Entidade defende farmácia acusada por Bellucci em caso de doping

Segundo Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais, a contaminação alegada é 'improvável'

Estadão Conteúdo

08 Janeiro 2018 | 16h10

A Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) saiu em defesa da Body Lab, farmácia de manipulação que o tenista Thomaz Bellucci acusou de contaminação cruzada em seu caso de doping. Segundo a entidade, a contaminação alegada pelo atleta é "improvável". A defesa de Bellucci afirmou em entrevista ao Estado que vai processar a farmácia.

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O tenista, ex-número 21 do mundo, revelou na semana passada que foi flagrado em teste antidoping em julho. Ele foi notificado somente em setembro e alegou lesão para se afastar do circuito nos últimos meses do ano. A punição aplicada pela Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) saiu somente no dia 31 de dezembro.

Bellucci foi punido com suspensão de cinco meses por causa da presença do diurético hidroclorotiazida em uma amostra sua. A decisão, porém, foi retroativa ao início de setembro. Desta forma, ele poderá voltar a jogar em fevereiro. Antes, ficará de fora do Aberto da Austrália, o primeiro Grand Slam da temporada.

Em sua defesa, o tenista alegou contaminação cruzada na manipulação dos suplementos que toma em sua preparação física. E apontou a farmácia Body Lab como a responsável pela contaminação. A farmácia de manipulação já negou qualquer erro ou contaminação na preparação dos suplementos do atleta.

Para Ademir Valério, presidente do Conselho de administração da Anfarmag, a alegação da farmácia tem consistência. "Essa atividade é regida por uma das legislações sanitárias mais rigorosas do mundo e fortemente amparada em tecnologia", afirma Valério, que aponta ainda o controle de processo, a tecnologia envolvida, a rastreabilidade e os procedimentos envolvidos como responsáveis por tornar a contaminação improvável.

"O processo de manipulação é seguro e não permite a contaminação. Porém, vamos extrapolar: admitindo que houvesse eventual equívoco no processo que levasse à contaminação acidental com um diurético, necessariamente haveria também a presença de outros fármacos combinados com essas substâncias, uma vez que elas estão sempre em associação nos medicamentos manipulados. Além disso, a distribuição desse diurético não seria uniforme entre supostas cápsulas contaminadas. Isso pode ser rastreado e precisa ser levado em conta", argumentou.

Valério cita estudo realizado pela própria Anfarmag, em 2010, em que aponta a baixa incidência de diuréticos em prescrições médicas em farmácias de manipulação. A pesquisa apontou apenas 2% deste tipo de medicamento em cerca de 27 mil fichas de pacientes em estabelecimentos do tipo. E não houve registro de nenhuma receita de diurético isolado.

Segundo o presidente da entidade, o estudo tira o peso da acusação de Bellucci contra a farmácia localizada no Rio de Janeiro.

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