Equipe da Davis terá psicólogo

Não vai ser fácil para os tenistas convocados para a disputa da Copa Davis jogar contra o Paraguai entre 9 e 11 de abril. Se não bastasse o ranking modesto dos participantes e ir contra o boicote de Gustavo Kuerten, pelo menos um jogador, Marcos Daniel, ontem teria ouvido uma bronca do técnico Marcos Vinícius Barbosa, que apóia a proposta de Guga, Flavio Saretta e Ricardo Mello de não ir à competição."Sabemos que vamos sofrer muita pressão daqueles que acreditam que estarão ajudando o tênis jogando politicamente. Mas acho que nosso lugar é na quadra. Guga nos deu chance tremenda de mudar o tênis. Concordo que temos de mudar, mas dentro da quadra", diz o capitão Carlos Chabalgoity, conhecido como Chapecó pelos tenistas.Nesta quinta-feira ele ainda dava telefonemas para terminar de montar a equipe. O capitão disse que o juvenil Leonardo Kirche aceitou jogar e deve ser incluído na lista. Também será incluído o nome de Artur Monteiro como preparador. Um fisioterapeuta também será chamado. E Chabalgoity não abre mão de psicólogo para ajudar, já prevendo o trabalho mental que terá de fazer com os jogadores.Flavio Saretta e Ricardo Mello fazem parte da equipe Play Tennis, coordenada por Chapecó, mas ignoraram a instrução de jogar contra o Paraguai, como foi recomendado. "Sei que eles devem ter passado por uma pressão terrível, porque todos os interessados no boicote estão em Miami (onde os jogadores estão disputando o segundo Masters Series da temporada). Mas eles não deveriam pensar como o Guga, que já ganhou muito. Saretta está começando agora um patrocínio com o Banco do Brasil. Estávamos estruturando a carreira de Ricardo Mello, procurando patrocínio, colocamos um técnico para ele, João Zwetsch. Acho que ele também deveria ter pensado nisso quando aderiu ao boicote", diz Chapecó. O capitão ressalta, porém, que o trabalho com Saretta e Mello não foi rompido.Os melhores tenistas do País iniciaram um movimento para não fazer parte da Davis com intenção de tirar do poder o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás. Conseguiram que o dirigente antecipasse a eleição de dezembro para 15 de maio e o compromisso por documento jurídico de não ser candidato à reeleição. Mas o recuo de Nastás não foi suficiente e os jogadores mantiveram o boicote. Queriam que o dirigente saísse imediatamente. Na quarta-feira a CBT anunciou nova equipe, agora com Carlos Chabalgoity de capitão e os tenistas Marcos Daniel, Alexandre Simoni e Julio Silva."Chabalgoity teve uma posição corajosa", diz Marcelo Meyer, que ajudou na montagem da equipe. "Tem de ficar claro que todos somos contra a gestão de Nastás à frente da CBT, mas pelo menos a oposição agora vai saber que tem mais gente se preocupando com o tênis no Brasil."Os jogadores convocados começarão a treinar segunda-feira em São Paulo, depois de uma avaliação física e psicológica, e no sábado seguirão para a Costa do Sauípe. Os jogos serão em piso de saibro.

Agencia Estado,

26 de março de 2004 | 09h24

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