Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

'Eu lutei até onde foi possível', diz Bellucci após abandonar jogo

Brasileiro desiste de duelo contra Borna Coric com dores nas costas

FABIO BISPO, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2015 | 17h18

O favoritismo não bastou, e o Brasil foi atropelado pela equipe da Croácia no confronto pela repescagem da Copa Davis, em Florianópolis, e voltou a ser rebaixado. Borna Coric, número 33 do mundo e de apenas 18 anos, vencia Thomaz Bellucci, principal do Brasil e 30º colocado, por 2 sets a 1 e liderava o quarto set por 4/0, quando o brasileiro abandonou com dores nas costas. Antes disso, o croata fez 6/2, foi derrotado por 6/4 e depois ganhou a terceira parcial por 7/6 (7/4).

"Se ele tivesse algum resquício de chance de lutar pelo jogo e vencer não teria nenhuma dúvida de seguir, mas estava visível que isso não era mais possível", declarou o capitão João Zwetsch, que assumiu a responsabilidade pela desistência do brasileiro. Com a vitória por 3 a 1 no quarto duelo - por decisão dos croatas não houve quinto jogo -, a Croácia, agora, disputa a elite do tênis em 2016. Para voltar aos playoffs em setembro do próximo ano, o Brasil terá que vencer duelo válido pelo Zonal Sul-Americano.

Bellucci, único a marcar ponto pelo Brasil na competição na estreia contra Mate Delic, viu a chance de manter a equipe viva na competição ao perder o terceiro set, por 7/3 no tie-break. "Eu lutei até onde foi possível. Não tinha mais sentido ficar no jogo, eu não consegui correr nas bolas, e contra o Coric não dá pra jogar assim. Não adianta achar que jogando mais ou menos você vai ganhar de um cara desses", disse o brasileiro, depois de 3h11min de partida.

Essa é a segunda vez que Bellucci desiste de um confronto decisivo na Copa Davis. Em 2010, também pela repescagem, o Brasil foi rebaixado quando o brasileiro alegou cansaço no quarto set, contra o indiano Somdev Devvarman.

O esgotamento físico voltou a ser o vilão da equipe brasileira, já que com uma vitória de Bellucci João Souza, o Feijão, brigaria no quinto jogo contra Mate Delic ou Ivan Dodig. Bellucci demonstrou dificuldades ainda no terceiro set, e no quarto não conseguiu esconder as dores. Foi quebrado duas vezes e via o oponente triunfar por 4/0 no set. "Fazia tempo que não perdíamos um confronto em casa. É difícil, mas tem que olhar pra frente. Agora não adianta ficar lamentando, o negócio e tentar voltar para o (Grupo) Mundial ano que vem", afirmou o atleta.

Com o desfalque de Marin Cilic, 14º tenista do mundo, anunciado às vésperas da competição, o Brasil entrou como favorito na quadra de Florianópolis, que antes recebeu o confronto no qual o Brasil superou o Canadá na última participação de Gustavo Kuerten no torneio.

O Brasil começou bem na competição com Bellucci batendo o desconhecido Mate Delic, apenas 499º no ranking, por 3 sets a 1. O segundo jogo, entre Feijão e Borna Coric não chegou a ser completado no primeiro dia, devido um temporal sobre o saibro do Costão do Santinho, e só foi concluído no sábado, quando os croatas esboçaram reação com 3 sets a 0. A equipe croata conseguiu empatar e passar à frente, ao superar os favoritos Marcelo Melo e Bruno Soares com a dupla Ivan Dodig e Franco Skugor, fechando o segundo dia com 2 a 1.

"É óbvio que o Marcelo e o Bruno, pelo currículo deles em Copa Davis nos últimos cinco anos, entraram credenciados como favoritos, mas dentro da quadra isso não se concretizou, por mérito da Croácia, por uma condição difícil de jogar para o Marcelo e o Bruno, que não jogaram o melhor tênis, mas Copa Davis é isso, temos que saber se remontar", afirmou o capitão brasileiro.

O jovem Coric confirmou a ótima temporada, e disse que teve um dos melhores sets da sua vida no duelo contra Bellucci. "Foi uma grande partida e acredito que o terceiro set foi um dos melhores da minha vida. Antes, eu estava me complicando. Ele é um bom jogador. Mas consegui me manter calmo e não entrei em pânico", explicou Coric.

Vencedor do confronto, o capitão croata Zaljko Krajan comentou a evolução do atleta após o triunfo. "Estou muito feliz em ter o Borna no time. Ele está melhorando e evoluindo muito rápido. Além disso, aguentou a pressão da torcida e soube aumentar o nível da quando precisava. Temos uma seleção muito forte quando completa e fico feliz por continuar no Grupo Mundial, temos boas chances no próximo ano", disse o capitão da Croácia, Zeljko Krajan.

Ele disse que os atletas sentiram a pressão da torcida. "Toda a semana nos sentimos muito bem. Todos foram muito amigáveis com a gente, estar neste lugar foi legal, e a torcida brasileira coloca muita pressão, mas era o que a gente esperava, sabíamos que seria assim e estou muito feliz em sair vitorioso", afirmou.

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