Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

Ex-tenista Alexandr Dolgopolov luta na Ucrânia: 'Não sou Rambo, mas estou bem com armas'

Competidor de 33 anos enfrenta tropas russas em Kiev depois de deixar circuito por causa de lesões

Redação, Estadão Conteúdo

17 de março de 2022 | 12h10

O exército ucraniano ganhou mais um reforço do mundo dos esportes nos últimos dias. Aposentado no início do ano, o agora ex-tenista Alexandr Dolgopolov se alistou, fez treinamento para aprender a usar as armas e já está em Kiev para lutar ao lado dos compatriotas contra a invasão da Rússia.

Aos 33 anos, Dolgopolov deixou o circuito profissional neste ano após enfrentar uma série de lesões nas últimas temporadas. Ele tem três títulos de nível ATP no currículo, chegou a ocupar o posto de número 13 do mundo em 2012 e alcançou as quartas de final do Aberto da Austrália, um ano antes.

Nos últimos dias, o ucraniano vem contando um pouco sobre sua vida de soldado. Numa das publicações nas redes sociais, exibiu seu "novo equipamento" de trabalho: um colete à prova de balas, capacete, arma pesada e munições. "Costumavam ser raquetes e cordas, agora é isso", afirmou o ex-atleta, referindo-se ao armamento.

Dolgopolov estava na Turquia com sua mãe e sua irmã quando a invasão russa na Ucrânia teve início, no mês passado. Assustado, ele decidiu inicialmente que iria ajudar com divulgação de informações nas redes sociais e ajuda em dinheiro para o exército do seu país. Mas acabou mudando de ideia quando percebeu que a guerra cresceria e afetaria todo o país.

Ainda na Turquia, ele começou a ter aulas de tiro com um ex-militar durante uma semana. "Não me tornei o Rambo em uma semana, mas estou bem confortável com as armas. Consigo acertar a cabeça (do alvo) em três de cinco tentativas a uma distância de 25 metros, num ambiente mais calmo, de treino", afirmou o ex-atleta.

O ucraniano revelou também que, enquanto fazia seu treinamento, preparava a entrada em seu país. E levou equipamentos militares para o exército, como coletes à prova de balas e óculos de visão noturna.

"Enquanto treinava, comecei a organizar a volta. Encontrei outros planejando ir dos Estados Unidos para a Ucrânia e, quando estávamos prontos, começamos nossa viagem. Precisamos de alguns coletes à prova de balas e voamos para Zagreb, onde compramos tudo o que precisamos e nos dirigimos pela Europa, entrando na Ucrânia pela Polônia. Agora estou em Kiev", relatou.

Dolgopolov disse ainda ter orgulho da mobilização e da resistência dos ucranianos e chamou o presidente russo Vladimir Putin de "ditador maluco". "Estou orgulhoso do quão unido nosso país está diante da pressão de um ditador maluco. A verdade está conosco e esta terra é nossa. Vou ficar em Kiev até nossa vitória e depois."

Antes de Dolgopolov, outros ex-tenistas também se juntaram ao exército ucraniano, como Sergiy Stakhovsky e Andrei Medvedev. Outros atletas fizeram o mesmo, caso dos boxeadores Oleksandr Usyk e Vasiliy Lomachenko.

Ex-campeões mundiais dos peso pesados, os irmãos Wladimir e Vitali Klitschko estão na guerra também. Vitali, por sinal, é o atual prefeito da capital Kiev.

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