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Ex-tenistas torcem pelo sucesso de Melo e Soares no ATP Finals

Carlos Kirmayr e Cássio Motta brilharam na década de 1980 e são exemplos para a nova geração

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2013 | 07h40

SÃO PAULO - Para coroar um ano de resultados históricos, Bruno Soares (ao lado do austríaco Alexander Peya) e Marcelo Melo (com o croata Ivan Dodig) começam nesta terça-feira, em Londres, a busca pelo inédito título de duplas no ATP Finals - torneio que reúne os oito melhores tenistas e as oito melhores parcerias da temporada. O feito torna-se mais notável pelo fato de ser apenas a segunda vez na história que o Brasil tem dois tenistas classificados para a disputa. A primeira aconteceu entre os dias 10 e 15 de janeiro de 1984, quando os brasileiros Cássio Motta e Carlos Kirmayr caíram na primeira rodada do então Masters Grand Prix de 1983 para o australiano Mark Edmondson e para o norte-americano Sherwood Stewart por 2 sets a 1, parciais de 7/5 1/6/ 4/6, no Madison Square Garden, em Nova York. A principal diferença é que Motta e Kirmayr jogavam juntos, enquanto os mineiros têm parceiros estrangeiros.

Responsáveis por recolocar o País no topo do tênis, Melo e Soares são motivo de orgulho para seus antecessores. "Eles são geniais, estão brilhando. É muito bom vê-los se destacando, fazendo uma carreira longa, ganhando dinheiro e tendo fama e prestígio", exalta Kirmayr. O seu antigo companheiro não fica atrás e torce pelo sucesso dos brasileiros. "Atingir esse ponto não é para qualquer um. Espero que eles permaneçam, ganhem tudo e virem número 1. Estou torcendo para isso", conta Motta. E os ex-jogadores estão na expectativa de ver os mineiros voltarem a atuar juntos no circuito. "Adoraria vê-los jogarem juntos novamente, seria o máximo" diz Kirmayr, entusiasmado. Separados desde 2011, Marcelo e Bruno só dividem o mesmo lado da quadra com a camisa amarela na Copa Davis. Mas, para a felicidade dos veteranos, os tenistas pensam em retomar a parceria no futuro para jogarem a Olimpíada de 2016, no Rio.

Enquanto isso, os brasileiros ainda têm uma pedreira pela frente. E muita coisa mudou nesses 30 anos. Carlos Kirmayr associa o desenvolvimento do ser humano à evolução do esporte e também aponta a especialização da modalidade de duplas. "O preparo físico evoluiu, a velocidade é maior porque os jogadores são mais altos e mais fortes. Hoje tem jogador que é especialista em duplas. Naquela época, eu e o Cássio jogávamos simples e duplas, o McEnroe e o Fleming, que eram os melhores, também jogavam simples", avalia. Cássio Motta reforça a ideia do amigo, fala em uma "evolução natural do jogo" e acrescenta a mudança no material esportivo. "A gente jogava com uma raquete pequena e hoje se joga com uma raquete maior, os encordoamentos melhoraram muito, o que possibilita uma performance muito melhor."

Apesar do crescimento da modalidade, Kirmayr acredita que há uma desvalorização das duplas e toma como base os anos em que jogava como profissional e formava a 5.ª melhor dupla do ranking . "Para os diretores de torneio, não haveria mais dupla. Antigamente nas duplas, um Grand Slam era jogado em até cinco (sets), hoje é melhor de três e o terceiro é um tie-break. A ATP como representante dos jogadores é que faz pressão para que o jogo de duplas exista." Já Cássio Motta analisa a situação pelo lado do torcedores e vê com naturalidade a paixão de alguns e a crítica de outros.

Aposentados, Kirmayr e Motta continuam amigos, mas seguiram suas vidas por rumos diferentes. Aos 63 anos, Carlos ainda tem a vida ligada ao tênis e comanda o Centro de Treinamento Kirmayr, localizado em Serra Negra (SP). Entre os seus projetos de incentivo, ele trabalha com um programa preparatório para viabilizar que jovens tenistas brasileiros possam estudar e competir por universidades dos Estados Unidos. Além de organizar clínicas de tênis durante as férias. Já Cássio, de 53 anos, deixou o esporte de lado e decidiu apostar nos negócios e cuidar de sua família. No entanto, ele cogita um dia voltar a trabalhar com o tênis e deixa o futuro em aberto: "Quem sabe mais tarde eu resolva me envolver com o esporte que me deu tanto na vida." Quase 30 anos depois, eles se preparam para acompanhar as duplas no ATP Finals. Dessa vez, pela televisão.

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