Marko Djurica/Reuters
Marko Djurica/Reuters

Federer e Nadal se opõem a Djokovic na criação de nova associação de tenistas

ATP e WTA também se manifestam contra proposta do tenista sérvio: 'É hora de uma colaboração ainda maior, não de divisão'

Redação, Estadão Conteúdo

30 de agosto de 2020 | 10h20

Roger Federer, Rafael Nadal e outros membros do conselho de jogadores da Associação de Tenistas Profissionais (ATP) se colocaram contrários à proposta do número um do mundo, Novak Djokovic, e do canadense Vasek Pospisil, de criar uma nova organização, atraindo a atenção para os bastidores políticos do tênis antes do US Open, que começa nesta segunda-feira.

Também foram contra a ideia de Djokovic a própria ATP, bem como outros órgãos reguladores da modalidade, como a Associação de Tênis Feminino (WTA) e a organização dos quatro torneios de Grand Slam. "É hora de uma colaboração ainda maior, não de divisão", disseram as entidades, por meio de um comunicado em conjunto.

Depois de uma reunião na noite de sábado, Pospisil publicou em suas redes sociais a imagem de um grupo de jogadores usando máscaras para se proteger da pandemia. Eles apareceram em uma quadra onde será disputado o US Open. Ao lado da imagem, Pospisil escreveu: "Temos o prazer de anunciar o início da Associação dos Jogadores de Tênis Profissional" (PTPA, na sigla em inglês).

Djokovic insistiu que é uma associação, não um sindicato, embora a distinção não fosse totalmente clara.

A associação "não surge para ser combativa, para alterar ou causar qualquer problema dentro ou fora das quadras de tênis. Simplesmente para unificar os jogadores, fazer nossas vozes serem ouvidas e influenciar as decisões que afetam nossas vidas e meios de subsistência", escreveu Pospisil.

Um e-mail enviado aos jogadores durante a semana indicava que Djokovic e Pospisil seriam os primeiros presidentes do grupo, que também seria liderado por nove curadores, todos jogadores.

Os jogadores de tênis não têm um sindicato que os represente e negocie salários e outros assuntos com os principais empregadores neste negócio. Cada jogador de tênis é um contratante independente. Alguns têm reclamado e exigem uma parcela maior da receita gerada pelos Grand Slams. A ideia de uma união de jogadores vem sendo estudada desde 2018.

"Não estamos pedindo boicotes. Não estamos formando circuitos de torneios paralelos", assegurou Djokovic após vencer o Torneio de Cincinatti neste sábado, competição preparatória para o Grand Slam norte-americano. Ele considera que a PTPA pode coexistir com a ATP.

"Claro que adoraria a inclusão de Roger e Rafa. Claro que adoraria a participação de todos os jogadores. Mas eu entendo", disse o tenista sérvio. "Eu realmente entendo que alguns deles têm opiniões diferentes e não acham que seja o momento certo", completou.

Djokovic foi presidente e Pospisil membro do conselho de jogadores da ATP, mas ambos renunciaram, bem como o norte-americano John Isner.

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