AFP/ Stan Honda
AFP/ Stan Honda

'Federer nunca buscou metas de curto prazo', diz biógrafo

Jornalista René Stauffer acha que o tenista de 35 anos ainda pode jogar em alto nível por longos anos

Felipe Rosa Mendes, Estadao Conteudo

10 de abril de 2017 | 08h06

Autor da principal biografia de Roger Federer, o jornalista suíço René Stauffer acredita que o tenista ainda tem bons anos pela frente no circuito profissional. Com a experiência de quem convive com o recordista de títulos de Grand Slam desde a infância, ele revela como o atleta vem planejando muito bem cada passo de sua carreira, com a meta de estendê-la ao máximo no circuito.

Nesta entrevista exclusiva ao Estado, Stauffer cita os motivos que levaram ao retorno triunfal de Federer nesta temporada, com títulos no Aberto da Austrália e nos Masters 1000 de Indian Wells e Miami, após seis meses afastado do circuito por lesão. Ele também prevê que somente um novo problema físico pode forçar a aposentadoria do tenista nesta ou na próxima temporada.

Qual é o segredo da longevidade de Roger Federer?

Ele conta com uma equipe muito boa ao redor dele e eles trabalham com planos de longo prazo. Pierre Paganini, o preparador físico, é a figura principal em sua preparação e no seu elaborado planejamento. Roger nunca buscou metas de curto prazo, ele sempre quis jogar por mais tempo possível no circuito. E outra coisa importante: ele tem a habilidade de ganhar de forma fácil, em partidas curtas, sem tanto sofrimento, como acontece quase sempre com Rafael Nadal.

Ele está jogando em um nível brilhante novamente. O que ele faz agora que não estava fazendo antes de alcançar este nível?

Primeiro de tudo, ele está em forma novamente. Seu joelho não está mais o incomodando. Segundo: ele teve seis meses para ficar em forma, treinar e preparar o corpo em 2016. Isso é um luxo que nunca teve. Terceiro: ele não tinha expectativas, jogou sem a pressão de ter que vencer em seu retorno. Quarto: em cada vitória conquistada, a confiança cresce. E quinto: sua esquerda está melhor do que nunca, graças ao esforço que melhorou o trabalho de pernas e à raquete maior que está usando agora.

Ele está no auge de sua carreira agora?

Não, o auge aconteceu entre 2004 e 2006, quando ele quase não perdia um jogo. Ele pode estar jogando melhor do que nunca, mas isso não garante muitos grandes títulos agora. O ano mal começou ainda, então talvez seja muito cedo para se fazer esta pergunta.

Como ele consegue manter a motivação para continuar jogando mesmo depois de conquistar tantos títulos e recordes importantes?

É o amor pelo tênis que mantém ele seguindo em frente. Nunca conheci alguém que admira tanto o tênis quanto ele. E ele consegue dosar sua fome ao não jogar tanto, estimulando a si mesmo. Como vai acontecer agora, ele vai ter um longo descanso que vai ajudá-lo a chegar faminto em Paris [Roland Garros], em Wimbledon, em Nova York [US Open]. Ele também sabe que pode levar muita alegria para as pessoas e ajudar o tênis em geral, se continuar jogando.

O que ele ainda quer conquistar no circuito?

Ganhar títulos e ser capaz de enfrentar os melhores em grandes jogos. O ranking agora não é mais importante para ele, e ele nunca foi muito de perseguir recordes ou estatísticas. Mas atingir a marca de 100 títulos poderia ser uma boa meta.

Na sua opinião, por quantos anos ele ainda jogará profissionalmente? Ele já fez alguma previsão para você?

Acho que nem ele sabe quanto tempo ainda poderá jogar. Em Indian Wells, ele disse num evento com as crianças que poderia jogar até os 40. Mas, se sofrer uma nova lesão, tudo poderá acabar muito rapidamente.

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