Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Feijão recua em relato de racismo na Davis e tranquiliza Argentina

'Vamos esquecer isso! Não denunciei ninguém!', desabafa o tenista

RODRIGO CAVALHEIRO, Estadão Conteúdo

11 Março 2015 | 19h02

A Associação Argentina de Tênis (AAT) acredita que não será punida pelos insultos racistas da torcida local relatados pelo tenista brasileiro João Souza, o Feijão, durante a disputa da Copa Davis. A principal razão para a tranquilidade da entidade, segundo a AAT, são mensagem do próprio jogador publicadas nesta quarta-feira no Twitter.

"Escutei sim em poucos momentos alguns insultos! Nada que eu queira dar continuidade! Vamos esquecer isso! Não denunciei ninguém!". A assessoria do jogador afirmou à reportagem que o tenista acredita que a torcida argentina "se comportou muito bem".

Segundo publicação feita pelo site do SporTV na última segunda-feira, após o confronto vencido pelos argentinos por 3 a 2, Feijão escutou ofensas racistas enquanto jogava. "Ouvi ''macaco'', no comecinho do jogo. Teve ''segura a banana''... Óbvio que, por dentro, eu estava mordido. A vontade era de já parar o árbitro, mas ia tomar vaia, não ia dar pano para manga. É aquilo... macaco não precisa falar, já é racismo forte. Mas o resto é normal. Jogar fora de casa é isso mesmo."

A reportagem ouviu dois gritos de "macaco" na partida em que Feijão perdeu para Leonardo Mayer por 3 sets a 2 em 6 horas e 42 minutos, no jogo de simples mais longo da história da Davis.

A Confederação Brasileira de Tênis esclareceu, por meio de sua assessoria, que não fez denúncia de ofensas raciais à Federação Internacional de Tênis (ITF) e entre as reclamações que fará "estão fatores de organização". Portanto, não há acusação formal contra a equipe argentina. A ITF "espera pelo relatório completo do árbitro incluindo a verificação de tais alegações".

O capitão do time brasileiro, João Zwetsch, disse na segunda-feira após o confronto que "foi uma escolha infeliz da ITF de não ter colocado pelo menos um árbitro que falasse a língua espanhola, que seria mais fácil para todo mundo".

De acordo com a ITF, a pena para racismo varia de multas a desclassificação ou suspensão por um período mínimo de seis meses. Nesta quarta-feira, a imprensa local alertava para o risco de a equipe não enfrentar a Sérvia em julho pelas quartas de final do torneio. O Brasil disputará a repescagem da Davis.

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