Ferrero vai ao Sena, Guga à quadra

A diferença no estilo de preparação para as semifinais de Roland Garros entre o brasileiro Gustavo Kuerten e o espanhol Juan Carlos Ferrero causou espanto e surpresa em Paris. Enquanto Ferrero optou por um descontraído e relaxado dia, indo passear de barco pelo rio Sena, Guga manteve o espírito de concentração total e não fugiu de sua rotina: treinou no meio da tarde, como todos os dias em que não jogou, e não deu entrevistas ou parou para autógrafos.Este regime de rígida concentração de Guga e de seguir uma rotina de freqüentar os mesmos lugares, como restaurantes italianos, alojar-se em um hotel pequeno, próximo a Roland Garros, além de manter uma certa lei do silêncio é visto por muitos como superstição, de quem ganhou o primeiro título hospedando-se em hotel barato e voltou ao mesmo lugar, um ano depois, já consagrado e rico.A opção é por que Guga e seu técnico Larri Passos decidiram jogar todas suas fichas no que consideram o mais importante torneio do planeta. Não medem sacrifícios pelo prazer de erguer pelo terceiro ano, o troféu dos mosqueteiros, em Roland Garros.Assim, toda a preparação visa chegar em Paris no auge. Isso explica o tom conformado de Guga na derrota na final do Masters Series de Roma para Ferrero. Se fosse um jogo em Roland Garros, muito provavelmente o brasileiro se afogaria em lágrimas.Por várias vezes durante os últimos dias Guga já deixou claro que sempre chega a Paris com expectativas muito altas. Por isso, ficou aliviado e emocionado com a vitória sobre Michael Russel, em jogo que salvou um match point e manteve viva as esperanças de chegar ao título. Na partida seguinte, entrou na quadra bem mais determinado e afugentou fantasmas ao vencer Yevgeny Kafelnikov por 3 a 1.A vida de Guga em Paris está longe do rio Sena, longe da Torre Eyffel ou do Museu do Louvre. Mas muito próxima da terra batida de Roland Garros e de uma rotina espartana que pode levá-lo a mais um título.Fugaz - Em nome desta rotina, Guga optou por não passar muito tempo no jantar de gala da Federação Internacional de Tênis (ITF) em que foram entregues os troféus de campeões do mundo de 2001. Entre grandes personalidades do tênis, cartolas internacionais, a decisão do brasileiro de chegar a festa sem traje de gala e ficar por pouco mais de meia hora causou certo mal-estar no apresentador na hora de entrega de prêmios. Guga chegou cedo, por volta das 20h30, esteve simpático, posou para fotos ao lado da campeã mundial feminina, Martina Hingis e depois saiu para jantar em um dos poucos restaurantes que freqüenta em Paris.Além de Martina Hingis em vestido social, a ITF premiou vários jogadores e no momento de anunciar Guga, o apresentador Fred Stole, um dos grandes campeões do tênis, ficou meio sem jeito e tentou justificar dizendo que o brasileiro já havia recebido o troféu das mãos do presidente da ITF, o italiano Francesco Ricci Bitti.

Agencia Estado,

06 de junho de 2001 | 15h20

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