Florianópolis em festa para a última participação de Guga

Tenista receberá várias homenagens em sua despedida das quadras brasileiras, que pode ser nesta terça

Chiquinho Leite Moreira, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2008 | 17h14

Mais do que um grande campeão, Gustavo Kuerten revolucionou o comportamento. Mexeu com a auto-estima das pessoas e transformou-se num símbolo: "Guga, orgulho catarinense". Esta mensagem exibida ao lado de um desenho do rosto do tenista está na mídia local e no coração de todo um povo. Florianópolis vive um momento de comoção social. Toda cidade está envolvida em render homenagem ao seu maior ídolo. Nesta terça-feira à noite, ele joga o seu último torneio oficial no Brasil para um adeus próximo aos amigos, familiares e de suas origens. Às 19 horas, enfrenta o colombiano Carlos Salamanca pela primeira rodada do Aberto de Santa Catarina (com transmissão pelo SporTV). O torneio não preparou nenhuma homenagem especial à Guga, "vamos deixá-lo jogar à vontade", diz o organizador Ennio Moreira. Mas a festa já começou com manifestações populares, presentes simples de gente humilde e muitas cartas escritas à mão com mensagens de carinho e agradecimento. O governador do Estado, Luiz Henrique, quer seguir a corrente e planeja uma homenagem. A opinião pública e a mídia catarinense também estão envolvidas neste momento marcante da história de Santa Catarina. Tanto é que o Diário Catarinense publicou um encarte de 12 páginas com tudo sobre o ídolo. O jornalista Olavo Morais - editor do suplemento - acompanhou a carreira do tricampeão de Roland Garros desde os 13 anos e lembra de um episódio que pode justificar o carisma de Kuerten. "Na época, a esperança era o Márcio Carlsson, mas o Guga era o mais atrevido, jogava com uma bandana na cabeça e isso o marcava de forma diferente", contou o jornalista. "Depois transformou-se num embaixador e valorizou os catarinenses. Ele vendeu o Jacaré (ex-centroavante do time de futebol do Avaí, que sempre era lembrado nas entrevistas do tenista)." O colunista Cacau Menezes, uma verdadeira personalidade da cidade, destaca um aspecto importante no advento Guga. Disse que é o momento de se falar bem e reconheceu uma verdade. "Ele [Kuerten] acabou com o complexo de inferioridade do catarinense. Hoje dizer que nasceu em Florianópolis é um orgulho", afirma Menezes. "O Guga é alegre, bem enturmado."Nem sempre a relação de Guga com os catarinenses foi assim amistosa. Como um fenômeno local o assédio ficou intenso e o tenista causou mágoas. Sua estátua, esculpida logo após o primeiro título em Roland Garros, em 1997, continua guardada, empacotada, sem jamais ter sido exibida em praça pública. Para Guga muita coisa mudou também. "Hoje, os torcedores não cobram mais resultados. Por isso, também não importa muito o adversário. Não conheço bem o Carlos Salamanca, mas minha preocupação é de apenas conter a ansiedade de jogar em casa."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.