França é campeã da Davis

Herói de tantas outras decisões, Lleyton Hewitt decepcionou justamente quando esperava coroar sua atual condição de número 1 do mundo, com o título da mais vibrante competição do tênis: a Copa Davis. Mas com duas derrotas em três partidas, permitiu que a França tirasse de suas mãos a famosa saladeira de cristal, o troféu de campeão, com o francês Nicolas Escude roubando a cena ao marcar o ponto decisivo, com vitória na quinta e decisiva partida diante de Wayne Arthurs por 7/6 (7/3), 6/7 (7/5), 6/3 e 6/3 e levar toda a equipe francesa a comemorar a conquista com volta olímpica e o canto da marselhesa, em pleno Melbourne Park. "Perdi dois jogos em três e não é nada fácil aceitar isso, especialmente jogando na Austrália", disse Hewitt após a derrota. "Acho que vou pra casa e começar a chorar. Mas tenho, na verdade, de pegar meus tênis para o saibro e começar a pensar em jogar na Argentina na Davis do ano que vem." A frustração australiana começou no primeiro dia de jogos, quando Hewitt perdeu para Nicolas Escude. A quadra de grama - montada sobre o cimento da Rod Laver Arena, em Melbourne - revelou-se numa decisão duvidosa. Parece que o "feitiço virou contra o feiticeiro", pois a superfície irregular, esburacada e traiçoeira prejudicou muito mais o jogo de fundo de Hewitt, do que propriamente o agressivo estilo de Escude. A decepção prosseguiu nas duplas. O técnico John Fitzgerald, a última hora, trocou os especialistas Todd Woodbridge e Wayne Arthurs pelos titulares de simples, Hewitt e Patrick Rafter. A mudança custou mais uma derrota para Cedric Pioline e Fabrice Santoro. Até esta Davis, Hewitt estava invicto na competição deste ano, com seis vitórias ao longo da campanha de 2001. Por isso, não seria exagero em considerar que se fosse no Brasil, já estariam dando o novo número 1 do mundo, como acabado. Mas o jovem tenista de 20 anos ainda reabilitou-se no terceiro e decisivo dia, ao derrotar Sebastien Grosjean por 6/3, 6/2 e 6/3 e empatar o confronto por 2 a 2 e servir para mais uma de suas habituais frases arrogantes: "Acho que nunca devem subestimar meu jogo e minha confiança." Só que Nicolas Escude - depois de ter vencido Hewitt na primeira rodada - voltou a brilhar com a vitória sobre Arthurs, escalado a última hora no lugar de Patrick Rafter, que sentiu agravar-se a contusão no braço, depois da partida de duplas. A França assim fez a festa em plena Austrália.

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