Guga admite desprezar Wimbledon

Líder do ranking mundial e, por isso, deve ser designado como cabeça-de-chave número 1 em qualquer torneio que participe, o brasileiro Gustavo Kuerten confirmou em entrevista ao semanário alemão Der Spiegel, que estuda seriamente a possibilidade de desprezar o torneio de Wimbledon este ano. Guga revela-se insatisfeito com a falta de solidariedade dos tenistas, que no ano passado não apoiaram uma greve, movimento liderado pelos espanhóis, que não foram colocados como cabeças-de-chave na competição, embora tivessem ranking para isso. "Achei aquela atitude dos organizadores uma falta de respeito e prejudica todos os jogadores especialistas em quadras de saibro", afirmou Guga. "Por isso, estou estudando seriamente a possibilidade de não ir a Wimbledon este ano." Por ser jogada numa superfície muito rara no circuito internacional de tênis, como a grama, os conservadores dirigentes do All England Club, em Wimbledon, não costumam mesmo respeitar as posições do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) para designar seu cabeças-de-chave. Levam em consideração também resultados anteriores dos jogadores nesta superfície. Guga já chegou às quartas-de-final nesta competição há dois anos, mas ainda assim poderia não ter respeitada sua condição de número 1 do mundo. Situação semelhante já aconteceu com Ivan Lendl. Ele era o líder, mas como jamais havia vencido um torneio na grama, não foi apontado como cabeça 1. Guga criticou ainda as diferenças de tratamento em Wimbledon. Disse que alguns recebem privilégios enquanto outros são praticamente esquecidos. A maioria dos tenistas no torneio inglês não costuma receber a atenção em que estão habituados em outras competições. Diante disso, o tenista brasileiro tem clara as suas prioridades. "Acho Roland Garros o máximo", afirmou. "Tenho ainda de dar muita atenção a Roma e Hamburgo, torneios em que preciso defender muitos pontos". Além de achar que falta solidariedade entre os tenistas e desprezar Wimbledon, Guga, nesta entrevista, confessou que Andre Agassi e Pete Sampras estão num nível superior aos demais jogadores.

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