Guga anuncia que não vai jogar a Copa Davis

Inconformado com a troca de treinador na Copa Davis, com Jaime Oncins no lugar de Ricardo Acioly, e indignado com o tratamento da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) dado à modalidade, o principal tenista do País, Gustavo Kuerten, desistiu de jogar a Copa Davis no próximo confronto diante do Paraguai, de 9 a 11 de abril, na Costa do Sauípe.Esta tarde, no Aeroporto Hercílio Luz, antes de seu embarque para os Estados Unidos, onde joga em Indian Wells e Miami, Guga dará maiores explicações, mas já mandou comunicado oficial. "Foi uma decisão muito difícil. Jogo a Davis desde 1996 e só deixei de representar o meu País, uma vez, por motivos de saúde (no confronto contra a República Checa, em fevereiro de 2002). Tenho a Davis no sangue, vivi grandes emoções competindo, já joguei até machucado e estou triste por ter de deixar de jogar desta vez. Mas, pelo tênis brasileiro e pelo futuro dos tenistas, tive de escolher este caminho, por ver que a administração atual pouco fez para desenvolver o tênis e ajudar os tenistas?, explicou.E emendou: ?já se passaram mais de sete anos que ganhei Roland Garros pela primeira vez e durante este período fui número um do mundo, o tênis ganhou projeção, visibilidade na mídia, novos patrocinadores, mas a Confederação não aproveitou para fazer um bom trabalho de base. Hoje em dia se tornar um jogador de tênis continua tão ou até mais difícil do que quando eu comecei a jogar," disse o tenista Gustavo Kuerten, que defende o Brasil na Copa Davis desde 1996, tendo participado de 17 confrontos.Sua saída da equipe poderá representar uma revolução nos bastidores do tênis, pois ele vinha lutando por mudanças há muito tempo. "Desde o confronto com o Canadá a gente vinha tentando um diálogo com a CBT. Fizemos uma reunião entre todos os jogadores e técnicos, com o Presidente e dissemos que não estávamos contentes com a administração, que já havia passado muito tempo e que nada estava sendo feito. Depois dali a gente não viu nenhuma mudança e acho que chegou ao ápice agora, quando a CBT passou a tomar atitudes que influenciam diretamente na parte técnica. Não fomos consultados sobre a escolha do local dos jogos e nem sobre a troca de capitão da Davis. Quando a gente ganha um confronto, nós jogadores somos elogiados. Quando perdemos, como foi contra o Canadá, no ano passado e somos rebaixados, nós jogadores levamos a culpa, não a CBT. Quem atua na Davis somos nós, os jogadores e fomos completamente desrespeitados."

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