Guga busca o tri em Roland Garros

Traços geniais da pintura transformam simplicidade em arte. No tênis, a exuberância dos golpes de Gustavo Kuerten conseguiu levá-lo a ser comparado a grandes pintores. E, como um Picasso das raquetes, desenha o tricampeonato do mais fantástico torneio do planeta: Roland Garros. O brasileiro tenta neste domingo entrar para o hall dos grandes nomes do tênis, colocando-se ao lado de estrelas como Bjorn Borg, Mats Wilander e Ivan Lendl, todos com três troféus em Paris.Guga decide o título de 2001 contra o espanhol Alex Corretja, a quem bateu nos últimos quatro confrontos. A partida começa às 10 horas de Brasília, com transmissão ao vivo pela ESPN Internacional e pela Record. A nova imagem de tenista de golpes geniais começou a ser criada com uma declaração em tom de desabafo do russo Yevgeny Kafelnikov. Aborrecido por ter sido eliminado pelo terceiro ano nas quartas-de-final de Roland Garros pelo brasileiro, o pouco simpático russo justificou assim sua derrota: "Guga pode desenhar o que quiser com sua esquerda, como se fosse Picasso." A comparação transformou-se em um dos maiores elogios ao brasileiro, especialmente depois de ele ter desenhado com sua raquete um coração no saibro da quadra, numa rodada anterior, para agradecer à torcida pelo apoio na vitória sobre o quase desconhecido norte-americano Michael Russel, em que teve de salvar um match point. Indagação - Um jornalista italiano, acostumado às inúmeras obras de arte de Roma, sua cidade, não se conteve diante de um cenário em que se sobrepõem a arte do tênis e a da pintura. Explorou a emoção e a criatividade ao perguntar o que seria mais difícil para Guga, inovar seu desenho de um coração na quadra ou jogar melhor do que havia feito diante de Juan Carlos Ferrero na semifinal de sexta-feira, quando teve das mais memoráveis atuações da carreira. Guga confessou que o coração na quadra foi resultado da emoção e admitiu que, diante de Ferrero, se sentiu influenciado pela sugestão do tenista russo. "Joguei como o Picasso das quadras, pois tentei acreditar nas palavras do Kafelnikov." Depois, carregou nas tintas e sugeriu que, para chegar ao tricampeonato, talvez fosse aconselhável buscar alguma inspiração também em Van Gogh. A miscelânia bastou para provocar a brincadeira marota, agora de um jornalista brasileiro: como seria melhor entrar na quadra hoje, como Gugasso ou como Van Guga?Com o traço de um ou de outro, Guga é o grande favorito diante de Corretja. Se repetir a atuação da semifinal contra Ferrero, o brasileiro dificilmente será batido. Além disso, a sorte parece desta vez estar a seu lado. Se Guga vencer neste domingo, além de entrar no restrito clube dos tricampeões, passa também para a história como um dos poucos jogadores a conquistar um título em Roland Garros depois de salvar um match point, como fez na partida diante de Michael Russel. Antes dele, só outros quatro tenistas haviam conseguido o feito: o francês Rene Lacoste, em 1927; o alemão Gottifried von Cramm, em 1934; o australiano Rod Laver, em 1962; e o italiano Adriano Panatta, em 1976.

Agencia Estado,

09 de junho de 2001 | 19h31

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.