Guga, enfim, de volta ao circuito

Depois de quatro semanas de muito treino e preparação física em Santa Catarina, o tenista Gustavo Kuerten e seu técnico Larri Passos embarcam nesta quarta-feira à noite para Stuttgart, na Alemanha. Eles passaram horas na quadra e na sala de musculação e agora seguem para o primeiro desafio do segundo semestre, onde o brasileiro defenderá o título em uma competição disputada em quadra de saibro. Diferente do ano passado, quando chegou à competição como o melhor jogador do mundo, Guga sabe que agora a situação é diferente. Se ainda não sonha com o título, ele admite que já não via o momento de viajar de novo e de tentar, pelo menos, chegar perto das decisões dos campeonatos. ?É uma fase nova para mim na minha carreira. Vou sem pensar em defender título e sem pressão nenhuma. Viajo com a expectativa de fazer um bom torneio. Estou sentindo a bola bem dentro da minha raquete e estou muito feliz por poder voltar mais inteiro, com mais calma. Cada semana que passa me sinto em um ritmo mais competitivo e já com vontade voltar a competir. Não agüentava mais ficar em casa e estou feliz de ir pra Alemanha jogar em um lugar que eu gosto muito e vou tentar chegar a uma semifinal ou uma final. Só de chegar perto do título já será muito importante. O meu principal objetivo seria alcançar um resultado que me deixasse jogando no fim de semana, que me desse mais motivação ainda, porque sei que só falta um bom resultado para eu me sentir totalmente pronto para enfrentar os caras. Este torneio de Stuttgart pode servir para isso, para eu encontrar a minha confiança e a minha convicção.? Guga apareceu com o cabelo cortado bem curto no treino desta quarta na Academia Gemitt, em Florianópolis. Ele disse que o novo corte se deve ao fato de ter se tornado tio de gêmeos ? filhos do irmão Rafael ?, recentemente, e precisa ser um cara mais responsável. ?Agora eles vão olhar assim para mim e vão me respeitar.? A vitória pessoal de Ronaldo e da seleção na Copa do Mundo também estão servindo de inspiração para Guga. ?O penta foi só alegria para todo mundo e a gente tem de agradecer aos jogadores que trabalharam duro para isso. O Brasil todo está muito feliz por eles e os caras realmente demonstraram que com trabalho e garra conseguiram chegar lá.? Mas o tenista não vê razão para chegar ?tirando sarro? dos alemães em Stuttgart. ?Vou chegar de mansinho, porque os caras ainda devem estar meio mordidos com a derrota para o Brasil. Mas pelo menos agora durante os próximos quatro anos vou estar tranqüilo, porque foi duro agüentar os franceses todo o tempo, no circuito, desde 1998, fazendo 1, 2, 3 a zero.? Guga está em 14º lugar no ranking mundial, mas embarca sem saber se será cabeça-de-chave em Stuttgart. Depois da Alemanha, Guga viaja para Los Angeles, Toronto e Cincinnati e duas semanas mais tarde compete no Aberto dos Estados Unidos e no Brasil Open, todos torneios em quadras rápidas. ?Vou para Los Angeles para jogar um torneio na quadra rápida antes dos Masters Series, mas sei que vai ser difícil fazer como no ano passado e até mesmo me classificar para a Copa do Mundo (com os oito melhores do ano). Estou evoluindo aos poucos, a minha recuperação está sendo excelente, mas queira ou não queira fiquei três meses sem jogar, perdi boa parte do ano, de torneios que eu gosto muito e a verdade é que vou precisar de muito empenho e sorte para jogar em Xangai.Não dá para ficar com isso na cabeça, acho até que está além dos meus objetivos, mas se acontecer de eu jogar o quarto mundial seguido vai ser um prêmio pelo meu esforço.? O técnico Larri Passos afirma: ?Guga está girando bem o corpo dos dois lados e os treinos nos últimos dias foram alucinantes. Ele está sentindo bem mais a bola e isso é o mais importante.? Larri se compara a Scolari, gaúcho como ele: ?O técnico precisa ser teimoso, especialmente nos momentos de decisão e os técnicos que têm sucesso hoje, como o Bernardinho (do vôlei), eu, o Felipão somos assim, mas ao mesmo tempo damos afeto e carinho. Outra grande qualidade do Felipão foi ele não ter feito marketing. Foi lá e trabalhou. E é isso que nós fazemos.? Guga venceu o torneio de Stuttgart no ano passado derrotando o argentino Guillermo Cañas na final. Depois, o brasileiro foi jogar em quadras rápidas, como repetirá este ano. Em Los Angeles, ele chegou às semifinais, perdendo para o norte-americano Andre Agassi. Em Toronto, chegou às oitavas, sendo eliminado pelo norte-americano Andy Roddick. Depois Guga voou para Cincinnati, onde foi campeão derrotando o australiano Patrick Rafter, depois de uma campanha sensacional, na qual deixou para trás, pela ordem, o próprio Roddick, o alemão Tommy Haas, o croata Goran Ivanisevic, o russo Yevgeny Kafelnikov, o inglês Tim Henman antes de encarar Rafter. A competição seguinte foi em Indianápolis, onde Guga chegou à final, encontrou novamente com Rafter e perdeu. Antes, Guga deixou para trás, nas quartas-de-final, o inglês Henman e nas semifinais o croata Ivanisevic. Chegou a vez do Aberto dos Estados Unidos, no qual Guga parou nas quartas-de-final, derrotando pelo russo Kafelnikov. Guga tem 1.325 pontos para defender nesses torneios. Por isso preferiu vir ao Brasil para treinar e se preparar fisicamente em vez de tentar a sorte na grama de Wimbledon. Talvez por isso ele tenha dito na coletiva que nem está pensando na Copa do Mundo de tênis, com os oito melhores da temporada, que este ano será em Xangai.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.