Guga estranha reclamações de Calleri

A conquista do título do Brasil Open reservou mais um prêmio para Gustavo Kuerten nesta segunda feira: ele entra pela primeira vez no ano no grupo dos dez primeiros do ranking da corrida dos campeões. Está agora com 90 pontos na classificação - que leva em conta apenas os resultados da atual temporada -, com 60 deste total conquistados em quadras de saibro. Guga iniciou o ano com as semifinais de Auckland, fez terceira rodada no Aberto da Austrália, final em Viña Del Mar e título na Costa do Sauípe. "Agora só estou atrás dos caras que estão jogando muito bem este ano e também já ganharam título, com exceção do Marat Safin", disse Guga ainda no aeroporto de Salvador, onde foi recepcionado com uma inesperada festa antes de embarcar para Florianópolis. Depois de diplomaticamente pedir aplausos para Agustin Calleri, seu adversário na final do Brasil Open, Gustavo Kuerten voltou a comentar as reclamações do argentino. Disse que a torcida esteve muito envolvida na decisão, mas deixou claro que seus adversários costumam procurar justificativas para derrotas no Brasil. Calleri não é o primeiro argentino a reclamar do comportamento do público no Brasil, depois de perder uma final. A história foi a mesma com Guillermo Coria, quando perdeu o título do Aberto de São Paulo, há dois anos, para Flávio Saretta, no Parque Vila Lobos. No Sauípe, curiosamente, Guga já havia passado por outros dois argentinos, mas nenhum deles chegou ao nível das reclamações de Calleri. Por recomendação, até mesmo os juízes de cadeira atualmente não pedem mais silêncio para a platéia. A idéia é permitir a reação do público, com objetivo de dar ao tênis maior vibração. O que na verdade não se aprova são as acusações diretas ao jogador, como chegou a acontecer no Sauípe, com gente xingando pessoalmente Calleri. Em muitos torneios de todo o mundo, a participação do público hoje é cada vez maior. Guga já enfrentou problemas de vários tipos. No US Open, por exemplo, quando disputava um de seus jogos mais difíceis, um torcedor levantou-se e começou a cantar o hino americano. A cena tirou a concentração do brasileiro que perdeu o jogo. Ainda no ano passado, também em Flushing Meadows, um torcedor teve de ser afastado por seguranças por estar ofendendo Kuerten. Em Roland Garros, enfrentar um francês é também muito difícil. A torcida é participativa e sabe a hora exata de incentivar seu tenista e irritar o adversário. Guga costuma usar de um recurso nestes momentos. Se o público começa a gritar e a fazer barulho, dissimula e dá início ao ponto, dando o saque no meio do barulho, o que pode até prejudicar o adversário. Guga jamais "cutuca a fera com vara curta", como fez Calleri, na Bahia.

Agencia Estado,

01 de março de 2004 | 19h15

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