Guga: "Fui do fundo do poço ao paraíso"

A emoção marcou a vitória de Gustavo Kuerten sobre o norte-americano Michael Russel por 3 a 2, parciais 3/6, 4/6, 7/6 (7/3), 6/3 e 6/1, neste domingo, pelas oitavas-de-final de Roland Garros. Guga chegou a estar em desvantagem de 2 sets a 0, esteve a um ponto de perder o jogo - salvou um match point no terceiro set - e após 3h25 de heróica luta, celebrou de maneira inusitada. Com a raquete, desenhou na quadra um grande coração, ajoelhou-se e mandou beijos para a torcida.Como um pintor, na Paris de tantos artistas, desenhar um coração foi a forma que Guga encontrou para homenagear a torcida francesa, num emocionado agradecimento ao apoio que o salvou de uma eliminação. Não poderia celebrar aos gritos e pulos uma vitória sobre um adversário como Russel, apenas o número 122 do ranking mundial. Tinha de encontrar uma maneira mais elegante e marcante."Fui do fundo do poço ao paraíso", definiu o brasileiro, que segue na luta pelo tricampeonato em Roland Garros. "Estava vendo tudo preto e, de repente, acabei tendo a maior alegria da minha vida, tudo por menos de 1/4 de centímetro: a bola parecia que iria sair, mas acabou entrando e virei um jogo destes, quando ninguém mais acreditava que seria possível", comemorou o tenista.Poucas vezes na vida Guga esteve em situação tão delicada. Saiu em desvantagem de 2 sets a 0 em apenas duas partidas de Copa Davis, diante do austríaco Marks Hipl em 1996 e contra o espanhol Carlos Moya, em 98.Em Roland Garros 2001, jamais havia caído num buraco tão grande, tendo de salvar um match point. "Hoje é um dia especial na minha vida", garantiu Guga. "Tive de lutar muito e dei sorte em alguns momentos para ganhar pontos decisivos, acertei a linha por algumas vezes e o importante é que passei mais uma rodada."Futuro - O próximo desafio de Guga será diante do russo Yevgeny Kafelnikov, que passou para as quartas-de-final ao derrotar o espanhol Tommy Robredo por 6/1, 6/3, 1/6 e 6/3. Coincidentemente, no ano passado Gustavo Kuerten enfrentou o mesmo adversário nesta mesma altura do torneio de Roland Garros.A situação naquela partida em 2000 foi tenebrosa. O tenista russo vencia por 2 sets a 1 e tinha vantagem de 4 a 1, quando Guga iniciou a reação que o levou a vitória.Agora, Guga garante estar preparado para outro difícil duelo. Ele reconheceu que nas duas últimas rodadas, diante de Karim Alami e Michael Russel, não jogou bem, mas venceu. Contra Kafelnikov admite que precisa melhorar seu desempenho. "Já fizemos dois jogos em cinco sets e cada partida parecia uma final", lembrou o brasileiro. "Para vencer novamente, vou precisar subir um degrau, um nível a mais em meu tênis, mas também levo uma vantagem psicológica, pelo menos para mim, pelo fato de ter ganho as duas últimas."Com a chegada às quartas-de-final, Guga admite que já não existe mais favoritismo no torneio. "São oito jogadores agora na disputa do título e todos têm chances", resumiu.

Agencia Estado,

03 de junho de 2001 | 14h36

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