Guga: má fase comum aos ídolos

Líder do ranking mundial, mas amargando o recorde negativo de cinco derrotas consecutivas, Gustavo Kuerten vai precisar contar com uma certa dose de sorte para sair desta crise. Sem confiança em seus golpes e intranqüilo diante das decepções, Guga confessa estar frustrado e reconhece que será mesmo um grande desafio reabilitar-se na próxima semana no Masters Series de Paris, outro dos terríveis torneios indoor para o tenista brasileiro.A sorte pode ajudar da seguinte maneira: dar a Guga, na primeira rodada em Paris, um adversário que o permita ganhar ritmo nos golpes e não um aventureiro de saque e voleio. Ele precisa ter pela frente um jogador que possibilite as trocas de bolas para assim, recuperar a confiança em seu jogo e voltar a mostrar seu verdadeiro tênis.Na história do tênis, até mesmo os grande ídolos costumam oscilar de produção. Nas últimas temporadas, como o próprio Guga faz sempre questão de lembrar, o brasileiro vem trocando de rivais. Primeiro teve o sueco Magnus Norman, depois o russo Marat Safin, o norte-americano Andre Agassi e agora, é a vez do australiano Lleyton Hewitt. Contra todos, com exceção do atual adversário, Gustavo Kuerten foi melhor e manteve-se na liderança do ranking. Chegou a hora, talvez, de ser marcado pela irregularidade? A resposta virá nas duas últimas competições do ano, em Paris e no Master Cup de Sydney.No duelo com Hewitt, o tenista australiano leva a melhor no retrospecto de 2001. Ganhou 74 partidas e perdeu 16, enquanto Guga venceu 59 contra 14 derrotas. Os dois conquistaram um título de Grand Slam, mas o brasileiro, com seis troféus, está na frente de Hewitt, que tem quatro campeonatos.As variáveis ficam por conta da superfície. Guga brilhou no início do ano com a temporada de saibro, que como ele mesmo costuma definir, é o seu "ganha pão". Nem, por isso, deixou de vencer em outros terrenos.Ganhou no cimento de Cincinnati e, no ano passado, até mesmo no hoje temível carpete, durante o Master Cup de Lisboa. Os números mostram bem este perfil do brasileiro. No saibro, em 2001, ganhou 46 jogos e perdeu 3. Na quadra rápida (cimento) foram 23 vitórias contra 8 derrotas. E, no carpete, não venceu nenhuma e foi derrotado 3 vezes.Muitos dos grandes ídolos do tênis também viveram este tipo infortúnio em superfícies pouco íntimas. O checo naturalizado norte-americano Ivan Lendl, um dos maiores tenistas da história, encerrou a carreira com uma frustração: a de jamais ter vencido um torneio na grama. O norte-americano Pete Sampras, cada vez mais perto da aposentadoria, já parece ter desistido de levar para sua lotada prateleira um troféu de Roland Garros. O alemão Boris Becker jamais comemorou um título importante no saibro, mas aos 17 anos já reinava na grama de Wimbledon.Diante disso tudo, o que estaria acontecendo com Guga não passa mesmo de uma má fase. Seu entrosamento com o técnico Larri Passos continua bom. E quem vive os bastidores dos torneios também sabe que nenhuma namorada está viajando com o tenista e mudando sua rotina, desviando sua atenção do tênis.

Agencia Estado,

25 de outubro de 2001 | 16h01

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