Guga mantém coroa de "rei do saibro"

Se ainda restava alguma dúvida de quem merece a coroa de ?rei do saibro?, Gustavo Kuerten tratou de desfazê-la com uma brilhante atuação diante do espanhol Juan Carlos Ferrero. Guga arrasou novamente, ao marcar 6/4, 6/4 e 6/3, e vai agora em busca do tricampeonato de Roland Garros, neste domingo, diante do espanhol Alex Corretja. Se vencer, o tenista brasileiro vai unificar os dois rankings, o de entradas e o da corrida dos campeões. Sem dar qualquer chance a Ferrero, num dia em que praticamente tudo que tentou deu certo em seu jogo, Guga voltou a merecer comparações geniais. Depois de ter vencido Yevgeny Kafelnikov, o tenista russo ficou impressionado com os golpes de esquerda do brasileiro e disse que Kuerten era o Picasso do tênis. Agora, o próprio Guga voltou ao assunto dizendo que artistas como Van Gogh poderiam inspirá-lo a ponto de "desenhar" ainda melhor seus golpes e ajudá-lo na conquista do tricampeonato de Roland Garros.As comparações já produziram algumas ironias. Para o domingo da decisão o que seria melhor para o brasileiro? Entrar na quadra como "Gugasso" ou como "Van Guga". O tenista agradeceu aos elogios, as citações e completou dizendo que poderia ser uma união dos dois e talvez ainda ter a ajuda de um Goya.As inspirações artísticas dos grandes pintores, na realidade, poderão ser dispensadas caso Guga repita a boa atuação que teve diante de Ferrero. Para muitos, foi o melhor jogo do brasileiro na sua história do torneio em Paris. Desde o primeiro momento, ele dominou o adversário e soube usar a força de seus golpes para arrasar o espanhol.Para alcançar este alto nível de jogo, Guga creditou a boa atuação à três fatores: tática, concentração e atitude. O plano de jogo, segundo ele, foi o de ser agressivo. "Estive perto do que, para mim, poderia ser a perfeição neste aspecto", contou. "Praticamente todos os golpes que tentei deram certo."Também no foco do jogo, Guga revelou-se muito satisfeito. Afirmou que entrou na quadra com a intenção de jamais se deixar envolver por qualquer problema e a concentração foi determinante para manter o nível técnico da partida. Fez ainda com que ele reagisse nos vários momentos em que ficou em desvantagem, salvando break points com incrível eficiência. "Acho ainda que a minha atitude na quadra foi decisiva", avaliou Guga. "Não fiquei nervoso, tive controle emocional e sempre fui para o lado positivo, sem me deixar levar pelas dificuldades."Transformar os momentos difíceis em pontos vencedores foi, sem dúvida, uma das maiores virtudes de Guga. Num dos momentos mais marcantes da partida, o brasileiro defendeu um smash - bola batida acima da altura da cabeça - com um outro golpe agressivo, devolvendo de direita e ainda ganhou o ponto. Jogadas deste tipo acabaram minando a resistência de Juan Carlos Ferrero, que, a princípio, estava inconformado com a superioridade do brasileiro. Mas depois, o espanhol não teve mais como não dar a mão a palmatória e saiu da quadra central com o humilhante placar de 3 a 0.

Agencia Estado,

08 de junho de 2001 | 15h30

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.