Guga: médico vê falta de força muscular

Apesar de não sentir mais dores no quadril, Gustavo Kuerten ainda sente os efeitos de uma diminuição da força muscular na perna direita de cerca de 15% a 20%. Essa fraqueza provoca instabilidade na movimentação do jogador e é apontada como uma das causas da dificuldade de o tenista retomar o nível técnico desejado na volta às quadras. No entanto, segundo o médico Rogério Teixeira, que acompanha o tenista desde a segunda cirurgia, realizada em setembro de 2004, nos Estados Unidos, Guga deve continuar em atividade, pois os jogos fazem parte da recuperação, embora os resultados não sejam animadores: na terça-feira, em Umag, na Croácia, ele sofreu a quinta derrota em uma primeira rodada."Depois de duas cirurgias no mesmo lugar no quadril, é comum um atleta apresentar essa diferença muscular", afirmou o médico. "Normalmente, o Guga teria cerca de 10% a mais de força muscular no lado direito, que é o que mais usa, mas está jogando com menos 15% ou 20% dessa força.?Essa diferença dificulta a reação de Guga na movimentação de quadra. Quando, por exemplo, corre para o lado direito, bate na bola e tem de retornar rapidamente à quadra, não consegue nem a velocidade necessária nem a confiança suficiente para se sentir seguro, estável e em condições de executar seus golpes como gostaria."Apesar do problema, é importante que ele continue jogando", revelou Rogério Teixeira. "Só assim vai recuperar a movimentação, no que chamamos de ativação muscular pelo esporte."O médico faz uma comparação para justificar a orientação de manter Guga em atividade. "Não é raro o atleta demonstrar explosão, recuperação e força quando realiza exercícios em aparelhos. Quando vai para a quadra, no entanto, não apresenta os mesmos resultados. Por isso, é necessário que passe por essa fase", disse Rogério Teixeira.Integrante da comissão médica da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), Rogério Teixeira também participa de um grupo de estudos de lesão no quadril na USTA, a todo-poderosa associação norte-americana de tênis, que, entre outras inúmeras atividades, organiza o US Open.Partindo do fato de as mulheres não sofrerem com lesões no quadril, teve início uma pesquisa para encontrar caminhos e soluções que diminuam ou evitem, nos homens, esse tipo de problema, que já afeta número preocupante de jogadores, entre eles, Andre Agassi e Lleyton Hewitt.

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