Rosane Bekierman/Divulgação
Rosane Bekierman/Divulgação

Guga minimiza preocupação com busca por novos 'número 1'

Para ídolo, procura não deve virar obsessão da torcida brasileira

FELIPE ROSA MENDES, Estadão Conteúdo

04 de dezembro de 2015 | 08h06

Gustavo Kuerten comemora nesta sexta-feira exatos 15 anos de um dos seus maiores feitos no circuito profissional: a chegada ao topo do ranking. Curiosamente, foi quase o mesmo período que o Brasil passou sem um número 1 do mundo. Em novembro, Marcelo Melo encerrou o "jejum" ao se tornar o líder do ranking de duplas. Para Guga, o feito de Melo deve ser exaltado. Mas ele pondera que a busca por um novo número 1 não deve virar obsessão da torcida brasileira.

"Ter um novo número 1 é motivo de celebração. Temos que levar em conta que a França e a Inglaterra, países que tradicionalmente investem no tênis, estão buscando esse mesmo patamar, sem sucesso há alguns anos", destacou o ex-tenista, que dominou o ranking de simples por 43 semanas entre os anos de 2000 e 2001.

Desde que Guga passou a cair de rendimento no circuito, em razão dos problemas físicos, a torcida passou a buscar um substituto para torcer no circuito. Quem mais se aproximou do catarinense foi o paulista Thomaz Bellucci, que chegou a figurar em 21.º no ranking, em 2010. Nas duplas, Bruno Soares se destacou nos últimos anos, mas foi Marcelo Melo quem alcançou a ponta.

Na avaliação do tricampeão de Roland Garros, seria um erro concentrar os esforços somente na busca pelo topo. "Pensar exclusivamente em termos um novo número 1 é um erro que temos de parar de cometer. Nós precisamos é aumentar a base de jogadores e investir na formação dos professores", disse o catarinense, em entrevista exclusiva à Agência Estado.

"O número 1 vai acontecer, mas o tênis não pode depender exclusivamente de um número 1. É muito mais importante investir na base. Até porque a gente já teve um número 1 e não foi suficiente", afirmou, citando a si mesmo como exemplo.

Aposentado desde 2008, Guga tenta fazer a sua parte na descoberta de novos talentos, seja através da sua escolinha, que conta com unidades em nove estados em sistema de franquia, ou seja pelo Instituto Guga Kuerten, que atende cerca de 700 crianças e adolescentes em localidades mais carentes em Santa Catarina.

EXIBIÇÕES

Enquanto atua como um embaixador informal do tênis, principalmente entre as crianças, Guga se recupera de um problema crônico no quadril. Ele já foi submetido a quatro cirurgias no mesmo local, a última delas em 2013. Ainda em processo de recuperação, o ex-tenista evita prever quando voltará a participar de exibições, como fez com o sérvio Novak Djokovic, em 2012.

"Pensar em voltar a jogar ainda é muito distante da realidade. Mas em 1994 eu escrevi um postal para minha família, sonhando que seria número 1. E aconteceu. Quem sabe eu consiga sonhar de novo, nem que seja para voltar às quadras para jogar com os meus filhos", disse o catarinense, pai de dois filhos - Maria Augusta, de três anos, e Luiz Felipe, de dois.

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