Guga pode pedir proteção no ranking

Gustavo Kuerten, número 2 do mundo, poderá pedir proteção no ranking, caso confirme sua cirurgia e tenha de ficar, no mínimo, seis meses afastado dos torneios. Esse recurso deverá ser requerido à Associação dos Tenistas Profissionais (ATP ) e manteria o Guga em uma boa colocação, mesmo fora das competições, num período em que o brasileiro tem muitos pontos para defender, como títulos de Roland Garros e Monte Carlo. Essa proteção no ranking não vai significar, porém, que Guga manteria a vice-liderança até sua volta às quadras. Nem mesmo poderá ser assim tão vantajoso como aparenta. Para fazer uso desse recurso, teria de se sujeitar a uma série de exigências. Uma delas é a de ficar no mínimo seis meses fora das competições. Caso seu plano seja de tentar voltar em quatro meses, ou cinco, já não poderia contar com esta proteção. Outro detalhe importante é que a posição de Guga seria estabelecida através de uma média dos próximos três meses. A cada segunda-feira, quando é divulgada uma lista de classificação, seria registrada sua colocação e em 90 dias estabelecida a posição protegida. Se Guga decidir entrar com pedido na ATP já na próxima segunda feira, evitaria que fosse descontado os mil pontos do título de Roland Garros, para a definição de seu novo ranking protegido. Cairiam as pontuações obtidas em Acapulco (250), Indian Wells e Miami (75), Monte Carlo (500) e Roma (350). Ainda assim, a média estabeleceria que Guga se manteria entre os dez primeiros. Outro detalhe importante é que ao final de seis meses, o ranking protegido garantiria sim Guga na chave principal dos maiores torneios, mas não o asseguraria como cabeça-de-chave. Para esta definição valeria o ranking real do tenista brasileiro. Este recurso de proteção de ranking é usado principalmente pelos jogadores de ranking médio, que não querem perder a condição de classificados diretos para as chaves principais dos maiores torneios, sem precisar mais passar pelo qualifying. No caso de Guga, as vantagens e desvantagens devem ser bem estudadas e calculadas. Afinal, se Guga ficar mesmo sem jogar até Roland Garros, a ser disputado na última semana de maio e a primeira de junho, o tenista brasileiro, sem usar o recurso do ranking protegido, voltaria ao circuito ainda entre os 20 primeiros da ATP, provavelmente em torno da 17.ª colocação. Sem acreditar - O anúncio de Guga feito no Brasil de que iria realmente passar por uma cirurgia, deixou muita gente de cabelos em pé. A ATP está sem saber o que falar e o que fazer. Afinal, a saída de um astro como o brasileiro em praticamente todos os torneios deste primeiro semestre seria uma perda significativa. Na próxima semana, por exemplo, no torneio de Acapulco, Guga seria a principal atração. Com sua saída, o interesse do público certamente diminuirá, causando prejuízos aos organizadores. Recentemente no confronto de Brasil e República Checa, pela Copa Davis, em Ostrava, os dirigentes checos ao tomarem conhecimento da ausência de Guga eliminaram uma parte das arquibancadas e os jogos realmente não tiveram boa lotação. Vários outros torneios fazem suas campanhas com o nome de Guga, que inclusive é uma das estrelas de nova campanha de marketing da ATP, ao lado de outros jovens talentos como Juan Carlos Ferrero, Marat Safin e Tommy Haas.

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