Há 25 anos, Steffi Graf tocava o céu com sua raquete

Em 1987, alemã de apenas 17 anos conquistava seu primeiro Roland Garros - e o mundo

MATEUS SILVA ALVES, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2013 | 08h00

SÃO PAULO - Quando uma alemã de apenas 17 anos conquistou o título de Roland Garros em 1987, derrotando na final o mito Martina Navratilova, muita gente desconfiou que aquela menina iria longe. Stefanie Maria Graf era o nome da moça, embora ela preferisse ser chamada de Steffi. Mas nem mesmo os maiores especialistas mundiais do tênis poderiam imaginar que ela iria tão longe - e tão rapidamente. Logo no ano seguinte, a alemãzinha tímida e calada fora das quadras, mas muito agressiva dentro delas, espantou o mundo ao se tornar uma superestrela. O que ela fez para alcançar tão precocemente esse status? Simplesmente venceu os quatro torneios de Grand Slam disputados em 1988, além de ter sido campeã olímpica nos Jogos de Seul. Quase nada.

Ainda em 87, Graf daria uma pista do que estava por vir ao chegar à final de Wimbledon e à do US Open, sendo derrotada em ambas por Navratilova. No ano seguinte, no entanto, a alemã apresentou um tênis tão majestoso que ninguém foi capaz de detê-la, nem mesmo a genial tenista nascida na Checoslováquia (àquela altura, já naturalizada norte-americana). O massacre de Graf começou cedo, logo em janeiro, no Australian Open. Ela chegou à decisão sem perder um set sequer e a história se repetiu na última partida. A veterana norte-americana Chris Evert, uma das maiores estrelas da história do tênis, também não foi capaz de roubar um set de Graf, que levantou o título na Austrália pela primeira vez.

Alguns meses mais tarde, Graf chegou a Roland Garros em busca do bicampeonato. E foi fácil. Mais uma vez, ela alcançou a decisão sem ceder nenhum set. E o último jogo foi absolutamente constrangedor. Sua adversária na final, a soviética Natasha Zvereva, foi incapaz de vencer um mísero game na disputa do título. Sim, aconteceu: a alemã venceu a final de um Grand Slam por 6/0 e 6/0. O jogo foi tão desequilibrado que Graf, um tanto embaraçada, nem comemorou muito quando obteve o ponto decisivo. Àquela altura, já não havia dúvidas sobre quem era a melhor jogadora do mundo.

Poucas semanas se passaram até que Graf chegasse a Londres para tentar ser campeã de Wimbledon pela primeira vez. Como de praxe, ela não perdeu nenhum set até a decisão. Na partida final, a alemã se viu diante de seu maior desafio: derrotar Navratilova na grama de Wimbledon. Entre 1978 e 1987, a lendária tenista só não havia levantado a taça do torneio inglês em 1980 e 1981. Pois Graf, como era de seu feitio, não se assustou com os oito títulos da adversária e, mesmo tendo perdido o primeiro set (o primeiro set em um torneio de Grand Slam que ela perdeu no ano!), soube assumir o controle das ações e vencer as duas parciais seguintes por 6/2 e 6/1. Rainha morta, rainha posta.

Faltava só o título do US Open para Graf fechar o Grand Slam e ela o obteve sem muito esforço. Em seus cinco primeiros jogos em Nova York, Graf não perdeu nenhum set. E a alemã nem precisou jogar a semifinal, já que Chris Evert desistiu da partida por causa de uma lesão. Graf só teve algum trabalho diante da argentina Gabriela Sabatini na final, mas o máximo que a bela morena conseguiu naquele 10 de setembro de 1988 foi ganhar um set. Com a vitória por 2 a 1, a alemã tocou o céu do tênis, coisa para muito poucos.

Como se fechar o Grand Slam fosse pouca coisa, Graf ainda se deu ao luxo de conquistar o ouro nos Jogos de Seul, que marcaram a volta do tênis ao programa olímpico. Na final, de novo Sabatini, e de novo vitória de Graf, desta vez por 2 a 0. Para o todo sempre, a façanha obtida por Graf ficou conhecida como "Golden Slam", coisa que ninguém chegou perto de repetir nos últimos 25 anos. E dificilmente alguém o fará nos próximos 25.

Isto é Steffi Graf

Nome: Stefanie Maria Graf

Nascimento: 14 de junho de 1969, em Mannheim (Alemanha)

Ano de profissionalização: 1982

Ano da aposentadoria: 1999

Títulos: 107

Títulos de Grand Slam: 22, sendo sete em Wimbledon (1988, 1989, 1991, 1992, 1993, 1995 e 1996), seis em Roland Garros (1987, 1988, 1993, 1995, 1996 e 1999), cinco no US Open (1988, 1989, 1993, 1995 e 1996) e quatro no Australian Open (1988, 1989, 1990 e 1994)

Premiação na carreira: US$ 21.891.306

Semanas na liderança no ranking da WTA: 377 (recorde)

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