Irmão vence campeão do Favela Open

Um garoto de 15 anos, Maurício Oliveira da Cruz, foi quem ganhou o Masters Series do Favela Open, neste sábado, em Capão Redondo, em uma decisão contra o irmão Leandro, o campeão do ano passado - venceu por 6/3. Leandro, de 16 anos, que já é federado e trabalha como pegador de bolinha e rebatedor na Academia Match Ball, no Itaim, não teve dúvidas quando foi à final contra o irmão: Maurício, de 15 anos, que "ainda não tem a vida arrumada", teria de ser o vencedor. "Estou muito contente por ele", disse Leandro, vendo o irmão jogar, como prêmio, um set contra o tenista profissional Flávio Saretta, 2º do ranking brasileiro, 45º do mundo e integrante da equipe nacional na Copa Davis.A 9ª edição do Favela Open reuniu 180 meninos na disputa do Masters Brejo (a quadra ganhou a inscrição Rolanga Brejo, uma referência ao torneio do Grand Slam Roland Garros). O professor Jorge Nascimento, criador do Favela Open, que este ano foi disputado em quadra rápida - o asfalto da Rua Paulo Guastine - comemorou a decisão. Os dois meninos aprenderam a jogar exatamente naquela rua, onde também moram, estimulados pelas raquetes usadas e bolinhas que Jorge ganha, principalmente dos freqüentadores de academias, e distribui entre os meninos.No ano passado, o torneio foi no campo de futebol, na terra, mas desagradou os freqüentadores do fim de semana. Este ano, Jorge optou pela quadra rápida, mas para fazer a política da boa vizinhança comprou dois jogos de camisas que pretendia presentear o pessoal do futebol. "Quando eu era criança e catava bolinha me imaginava jogando contra o Júlio Góes. A presença do Saretta foi muito importante", observou Jorge.Leandro, que ganha cerca de R$ 400,00 por mês, trabalhando na academia, onde também treina tênis, disputou dez torneios para sua idade nesse ano - ganhou oito, o mais importante deles, pela presença dos rivais, foi o da Academia Eduardo Eche. Acorda às 4h30 da manhã para ir ao trabalho, volta às 23 horas, após a escola, mas está "adorando" jogar tênis e acha que esse será um caminho bom para o irmão, Maurício, fã de Gustavo Kuerten.Lamentável - Saretta, de 23 anos, gostou de jogar num ambiente descontraído, que teve sanduíche de mortadela, banana, melancia, uva, pêssego e refrigerante para molecada e até um cachorro que insistia em permanecer em quadra. Distribuiu autógrafos, foi paciente e lamentou que o "acesso ao tênis no Brasil seja tão difícil".Saretta considera que 2003 foi o melhor ano de sua carreira - ganhou várias vezes de tenistas colocados entre os 20 melhores do mundo - e que ao aceitar o convite esperava mostrar o que é o tênis. "Sonhar não custa nada. O que deve ter de gente com talento no Brasil e não tem oportunidade e ninguém descobre..."

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