Danielle Parhizkaran /USA TODAY
Danielle Parhizkaran /USA TODAY

ITF dá apoio a árbitro que puniu Serena na final do US Open

Entidade saiu em defesa de Carlos Ramos, que até então não contava com o apoio público de nenhuma organização ligada ao tênis profissional

Estadão Conteúdo

10 Setembro 2018 | 16h12

A Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) publicou nota nesta segunda-feira para demonstrar apoio ao português Carlos Ramos, árbitro da final feminina do US Open, no sábado. A partida foi marcada pelas discussões entre a norte-americana Serena Williams e o juiz, que aplicou seguidas punições à tenista.

Alvo de críticas nas redes sociais, Ramos recebeu duras vaias ao longo da partida e também durante a cerimônia de premiação que coroou a campeã Naomi Osaka. Ao fim do jogo, dirigentes ligados à Associação de Tênis dos Estados Unidos e à WTA declararam apoio à Serena. A ITF afirmara que não comentaria o episódio.

A entidade, contudo, mudou de ideia nesta segunda e saiu em defesa de Ramos, que até então não contava com o apoio público de nenhuma organização ligada ao tênis profissional.

"Carlos Ramos é um dos árbitros mais experientes e respeitados do tênis. As decisões do senhor Ramos seguiram as regras e estas decisões foram reafirmadas pela organização do US Open que aplicou multa à Serena Williams pelas três infrações cometidas no jogo", disse a entidade.

A ITF considerou normal o debate e a polêmica em torno do episódio. "É compreensível que este relevante e lamentável incidente tenha provocado tal debate. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que o senhor Ramos atuou segundo seus deveres de árbitro, seguindo as regras do esporte e agindo o tempo todo com profissionalismo e integridade", afirmou a ITF, em comunicado.

A confusão teve início no segundo set da final, quando o juiz anunciou um "warning" (advertência) à tenista norte-americana por conta de instruções que seu técnico Patrick Mouratoglou fez em seu box, na arquibancada.

As câmeras da quadra flagraram as orientações, reconhecidas pelo próprio treinador ao fim do jogo. Pelas regras dos torneios de Grand Slam, os técnicos não podem orientar seus tenistas durante as partidas. A mesma regra existe no circuito masculino, organizado pela ATP, mas é diferente na WTA, que permite este auxílio em suas competições.

No tênis, a advertência é equivalente a um cartão amarelo no futebol. Serena, então, ficou "pendurada". E logo em seguida ela cometeu nova infração ao quebrar sua raquete contra o chão, o que costuma ser punido com outro "warning". A segunda advertência, porém, resulta na perda de um ponto. Assim, Osaka iniciou o game seguinte ganhando de 15/0.

Serena já vinha discutindo com o árbitro por reclamar da primeira advertência, ao alegar que não recebeu nenhuma orientação. "Eu prefiro perder do que ganhar trapaceando", afirmara a tenista, em quadra. A tenista, então, ficou mais irritada com a perda do ponto e chamou o árbitro de "mentiroso" e "ladrão", o que lhe rendeu nova punição. Desta vez, ela perdeu um game inteiro, conforme as regras - Serena também foi multada pela organização do US Open em US$ 17 mil (cerca de R$ 70 mil) pelas infrações.

A nova punição aumentou a vantagem de Osaka no segundo set. A japonesa, que já liderava o placar com uma quebra de saque na frente, passou a vencer pelo placar de 5/3. Na sequência, ela fechou o set e o jogo, conquistando o título. Na cerimônia de premiação, a campeã foi vaiada e Serena precisou intervir para pedir ao público que interrompesse as vaias.

 

 

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