Kafelnikov entra em cena no US Open

Sempre que os torneios esquentam, o russo Yevgeny Kafelnikov aparece em cena. Com um jogo regular, com a capacidade de quem está há quase dez anos entre os top ten do ranking mundial, garantiu nesta terça-feira uma vaga nas quartas-de-final do US Open, ao derrotar o francês Arnaul Clement por 3 sets, parciais de 6/3, 6/4 e 6/3. Desde 1999, Kafelnikov não vencia um jogo diante deste adversário e, parece, ter esperado o melhor momento para vingar-se.Com seu jeito meio estranho, ora descontraído, ora sisudo e mal-humorado, Kafelnikov sabe que só entra nos jornais na segunda semana de disputa dos torneios do Grand Slam. Costuma reservar para estes momentos frases de efeito, como a que deu em Roland Garros, definindo Gustavo Kuerten como o Picasso do tênis. Também, às vezes, usa de sua bola de cristal para fazer prognósticos, normalmente polêmicos, apontando quem vai ser o campeão do torneio."Até agora só vi meu nome nas últimas linhas dos jornais", disse. "Uma foto então, nem pensar." Com sua passagem para as quartas-de-final, sua entrevista coletiva já tornou-se uma das mais concorridas com meia lotação da sala, com capacidade para aproximadamente 50 jornalistas. Desta vez, porém, avisou que não iria entrar em polêmica. Afinal, suas declarações costumam transformar-se em manchetes e mal entendidos.É famosa uma de suas frases em que reclamou do pouco dinheiro que os tenistas ganham. Na verdade, não foi bem isso que disse. Kafelnikov apenas revelou numa entrevista no Aberto da Austrália que outros esportes como o golfe, por exemplo, pagam muito mais. Só que a história correu de boca em boca, aumentando e transformando sua real intenção. Foi até acusado de mercenário."Agora só estou preocupado com meu próximo adversário", avisou Kafelnikov, para decepção de quem esperava por mais uma de suas polêmicas, irônicas e retumbantes declarações.

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