Larri: o "paizão" do tênis

Mais que um técnico de tênis, Larri Passos pode de ser considerado um paizão para vários jogadores - principalmente para Guga Kuerten. Pega pesado nos treinos, exige empenho, mas também procura ajudar quando precisa, colocando sua grande academia, a Larri Passos Tennis Pro, em Camboriú, à disposição de quem não tem onde treinar - ou quer aprender ao lado do ex-número 1 do mundo. Este mês passaram por lá André Sá, Alexandre Bonatto, juvenis como Bruno Rosa e Raony Carvalho, meninas como a juvenil Gabriela Vieira e estrangeiros como os israelenses Harel Levy, Noam Okum e Jonathan Erlich.No dia 6, Guga e Larri embarcam para a Nova Zelândia, onde o jogador, 16º do mundo, defenderá o título em Auckland, a partir do dia 12, em quadra dura, dando início à série de 12 torneios que disputará no primeiro semestre de 2004.O local de treinos de Larri fica no bairro do Rio Pequeno, afastado do centro de Camboriú. Tem sete quadras, sendo cinco de saibro, duas delas cobertas, em uma área de 40 mil metros quadrados, com nascente que dá no Rio Camboriú, um lago "para pescar traíras", cavalos, gansos, 120 galinhas, horta e um refeitório. De sua horta, Larri tira folhas de couve, que são batidas com limão ou abacaxi, com uma pitada de sal. "Dá um ótimo suco", diz.O lugar é parte do paraíso para o treinador. "Antes era um sufoco para treinar no fim de ano. Os clubes ficam cheios. Comecei minha academia em 1997, depois que Guga venceu em Roland Garros. O terreno tinha 6 mil metros quadrados."Há ainda uma sala de ginástica com cinco esteiras e cinco bicicletas, pesos variados e uma piscina para relaxamento. Larri também ensina tênis gratuitamente para 75 crianças carentes que estudam em escolas públicas da região. É lá que sonha criar os filhos que pretende ter com a mulher Carla, com quem se casou em setembro, em São Paulo. No dia 16, o técnico gaúcho - e torcedor do Inter ("Fiquei mal quando perdemos a vaga para a Libertadores") - recebeu a imprensa na academia e entre o treino e um churrasco deu esta entrevista:PROJETO SOCIAL - "Minha academia não é comercial. O que eu ganho? No trabalho com as crianças. Não ganho nenhum centavo na parte comercial com elas, por enquanto. Enquanto estiver com o Guga, vou ficar focado no trabalho com ele. Vivo com o que faço com o Guga. Mas essa parte social alimenta meu lado psicológico. Em 2000, quando comecei este trabalho, Guga chegou a número 1 do mundo. Não posso parar.""Se fosse cobrar pelo meu trabalho, seria um preço bem alto. Suei para chegar aonde cheguei. Daria para cobrar uns US$ 10 mil por semana (rindo). Não tem um preço, mas em academias norte-americanas ninguém cobra menos de US$ 1 mil, US$ 1,5 mil. Jamais poderia cobrar isso de um jogador brasileiro. Mas, se Deus quiser, um dia poderei trazer estrangeiros, cobrar e colocar os brasileiros de carona."RIVAIS - "Brad Gilbert (de Andy Roddick, número 1 do mundo), Larry Stefanky? Esses caras não têm nada que ver comigo. São norte-americanos totais, capitalistas totais. Jamais fariam esse tipo de coisa que faço na minha academia. Vivem em outro mundo. Olham para você assim, de baixo para cima, acham os outros um lixo total. O Brad até fala comigo, diz que tem um cozinheiro que faz um feijão maravilhoso."AUSTRÁLIA - "No torneio passado eu queria ?matar? o Guga: break point, 3/2 no quinto set, a bola aqui na mão, alta, e ele foi dar uma desviada. Eu dizia ?Dá na cara dele? (o checo Radek Stepanek, 46º do mundo, eliminou Guga com 5/7, 6/3, 7/5, 4/6 e 6/3 na segunda rodada). Perdeu por detalhe."

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